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M.S.
As manifestações pró-despenalização e pró-vida que decorreram ontem junto à Assembleia da República, à margem do debate parlamentar, estiveram longe do fulgor e mobilização de outros tempos.
Cerca de cem activistas de 25 associações de defesa da vida concentraram-se frente ao Parlamento para protestar contra a realização de um novo referendo. De acordo com o secretário-geral do Movimento Juntos pela Vida, Pinheiro Torres (ex-deputado pelo PSD), citado pela Lusa, o protesto teve como objectivo "afirmar aos deputados o valor da vida, desde o momento da concepção até ao momento da morte". Depois, os manifestantes foram assistir às quase quatro horas de discussão.Também lá estavam, mas noutra bancada das galerias de São Bento, algumas dezenas de defensoras da despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
Durante a tarde tudo decorreu na maior das calmarias, sem manifestações de apoio ou desagrado, e só depois da votação é que meia dúzia de manifestantes favoráveis à mudança da lei mostraram t-shirts com mulheres atrás das grades. Mas de uma forma silenciosa, sem alarido e quase imperceptível.
Se na rua e nas galerias o ambiente foi cordato, nas bancadas dos deputados ainda teve alguns momentos mais exaltados.
Nas intervenções de Zita Seabra, antiga militante comunista e actual deputada do PSD, os deputados do Partido Comunista Português e Bloco de Esquerda contorciam-se e não paravam com os apartes. A comunista Odete Santos destacava-se claramente. Levantava-se, sentava-se, gesticulava, voltava a levantar-se. E respondia ao que ia ouvindo. Como quando ouviu Zita Seabra falar no que defendeu há 23 anos no Parlamento e, não resistindo, Odete atirou "pois, foi numa declaração de voto que ela leu e que fui eu que escrevi". Também o deputado do CDS/PP Paulo Carvalho viu ser-lhe lançado pela deputada um sonoro "que disparate" à medida que ia falando.
No lado oposto, acontecia o mesmo. Como quando Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, discursava da tribuna e Nuno Melo, em sinal de discordância, lançou "deve ter fumado um charro".
Coisa que não houve desta vez foram manifestações de regozijo à esquerda quando a lei e o referendo foram aprovados. "Esperemos que seja o penúltimo dia desta luta e que o último seja o do referendo", disse Pedro Nuno, da Juventude Socialista. Só não se sabe quando será a consulta.
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