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nroberto dores
nÉVORA
As Pirites Alentejanas poderão reiniciar a sua actividade dentro dos próximos dois meses.
A informação foi dada ao DN pela administração da empresa canadiana Eurozinc, proprietária das minas de Aljustrel, encerradas desde 1992, mas cuja exploração volta a ser apetecível, com o zinco a disparar nos mercados internacionais, valorizando-se 20% desde Janeiro.
O projecto prevê a criação de cerca de 300 postos de trabalho, após os primeiros 10 a 12 meses de laboração, ou seja, até que a exploração da mina entre em velocidade de cruzeiro, diz Rui Boticas Santos, representante da Eurozinc.
A manutenção das actuais cotações do preço dos metais extraídos em Aljustrel - zinco e chumbo - é uma das três condições impostas pela Eurozinc para reatar a exploração nas Pirites Alentejanas, com "sustentabilidade económica", refere Rui Botica Santos, representante da empresa. Os outros dois requisitos apontam para a conclusão das negociações em curso com a Agência Portuguesa de Investimento (API) e com os próprios trabalhadores.
Junto da API, a Eurozinc tenciona assegurar financiamentos comunitários e benefícios fiscais, adjectivados de "músculos importantes do projecto". Aos trabalhadores a empresa sugere um acordo que "permita uma paz social por um período de cinco anos", diz Rui Botica Santos, considerando ser esta a forma de "garantir estabilidade e tranquilidade ao investimento", para que não haja conflitos laborais entre mineiros e administradores.
O representante da Eurozinc admite que ambas as negociações estejam concluídas "muito em breve, porque estão decorrer a bom ritmo".
"Há que fazer todo o trabalho preparatório e de adaptação na mina para se iniciar a produção, fazendo trabalho subterrâneo, mas também na própria lavaria, que precisa de ampliação e renovação da tecnologia do equipamento", justifica Rui Botica Santos.
O presidente da autarquia de Aljustrel mostra-se satisfeito com a situação, afirmando mesmo que o município está "mais preparado do que há alguns anos para receber o regresso às minas."
José Godinho até já admite que depois da crise em que o concelho mergulhou, em 1992, com o fecho das Pirites, "é chegada a hora da retoma económica".
A criação, no imediato, de 200 postos de trabalho, a juntar aos 70 já existentes e a outros empregos provisórios, "irá provocar um surto de desenvolvimento em Aljustrel que nos deixa muito optimistas", sublinha, garantindo que a luta de anos do concelho em prol da actividade mineira fez todo o sentido, "porque se provou que a mina era viável."
Carlos Formoso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, também se mostra satisfeito, mas receia que a "ausência de datas concretas" ensombre o optimismo existente. "Há 15 anos que acreditamos que a mina tem de reabrir. O minério está cá e alguém tem de o retirar", diz, reclamando formação para os trabalhadores. Neste sentido, solicitou já ao Centro de Formação Profissional de Aljustrel que direccione a oferta formativa para as necessidades das Pirites Alentejanas.
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