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ncarla aguiar
Sindicatos, confederações patronais e associações comerciais estão a aderir em força aos fundos de pensões. Uma nova tendência que, mais do que revelar o fim da descrença nestes produtos, indicia, sobretudo, o início da desconfiança na Segurança Social e na sua capacidade de garantir níveis de rendimento satisfatórios aos jovens de hoje, pensionistas de amanhã.
Sindicatos de áreas tão diversas como os serviços, a aviação civil, os seguros, a banca ou confederações como a CAP e associações comerciais começam a organizar-se para tratar do futuro dos seus associados. Um movimento com um atraso de algumas décadas em relação a muitos países europeus, onde a participação de sindicatos e cooperativas nos esquemas complementares de protecção social assume uma dimensão muito significativa.
"Aderimos a um fundo de pensões porque é urgente criar sistemas alternativos que possam assegurar a uma nova geração de trabalhadores uma maior tranqui- lidade no futuro, que o sistema público não poderá garantir", disse ao DN o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Escritórios, Comércio, Hotelaria e Serviços (Sitese). Vítor Hugo Sequeira aponta ainda um outro factor a favor do envolvimento sindical nos fundos de pensões. "Procuramos dar aos trabalhadores um incentivo à sindicalização, na medida em que há um benefício duplo não só beneficiam com a capitalização das suas contribuições, mas também do bolo colectivo, pois o sindicato também contribui. "
Aquele sindicato formaliza, no dia 27, a sua adesão a um fundo de pensões da sociedade gestora SGF, representando um universo de 30 mil associados, potenciais participantes. Forçar, com o próprio exemplo, a discussão dos sistemas complementares de reforma ao nível da negociação colectiva é outro dos objectivos dos sindicatos e confederações patronais.
Atenta aos sinais dos tempos, a SGF, Sociedade Gestora de Fundos de Pensões, está a explorar o mercado dos grupos de afinidades, oferecendo condições raras no mercado. "Praticamos a mais baixa comissão de gestão do mercado, não cobramos taxas de transferência nem de resgate e os participantes podem contribuir com o que quiserem", disse ao DN o administrador da SGF, Santos Teixeira.
Estas condições, aliadas ao facto de os produtos daquela sociedade terem atingido em 2004 a mais elevada rentabilidade do mercado, (com valorizações entre os 7% e os 7,8%) , estão a atrair clientes, que começam a ser mais sensíveis à rentabilidade. Santos Teixeira lamenta que "em Portugal as pessoas ainda não olhem o suficiente para a rentabilidade dos seus investimentos", caso contrário, sustenta, transfeririam os seus de- pósitos a prazo para produtos igualmente seguros, mas com rentabilidades muito superiores a longo prazo. " A volatilidade dos mercados é muito alta, se analisada ao dia, não ao longo de dez anos".
O capital em planos de poupança reforma/educação ronda actualmente os 9,6 mil milhões de euros, menos de metade do aplica- do em depósitos a prazo. Santos Teixeira acredita que haverá uma transferência gradual do investimento dos depósitos a prazo para os PPR. No dia 7, a Confedera- ção dos Agricultores de Portugal aderiu ao Fundo Empresas da SGF, estando na calha várias associações comerciais. Um sinal de que Santos Teixeira pode ter razão.
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