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por
Francisco
sarsfield cabral
"É preciso mudar as mentalidades." Esta frase repete-se entre nós vezes sem conta. Como noutros lugares-comuns, encerra uma verdade nos nossos hábitos laxistas, desorganizados e pouco responsáveis está a raiz do atraso português. Mas nunca se indica de que forma se mudam mentalidades. Os métodos de lavagem ao cérebro e de engenharia social, tentados pelos totalitarismos, não parecem aconselháveis. A via ditatorial, seguida por Salazar, conseguiu alguns resultados (sobretudo na restauração do Estado), mas à custa da liberdade, com censura e PIDE. Em democracia, mudar deliberadamente mentalidades é mais complicado.
Seria irrealista esperar da nossa débil sociedade civil qualquer impulso significativo de modernização mental. Basta olhar para as universidades. Ou para as chamadas elites. E o Estado português não só é fraco, ineficiente e corrupto, como dá maus exemplos - vejam-se os atrasos nos seus pagamentos. Os partidos convivem bem com a degradação do Estado, porque esta lhes convém para darem empregos e negócios às clientelas. O apego ao populismo manifestado no último congresso do PSD tira, aliás, quaisquer ilusões sobre o papel modernizador dos partidos.
Só vejo uma maneira de mudar as nossas mentalidades a abertura ao exterior, o confronto com outras culturas e outros hábitos, a competição com estrangeiros. Tivemosa gesta dos descobrimentos, mas nós descendemos dos que por cá ficaram... Isolados no extremo ocidental da Europa, sempre que na história nos fechámos a decadência não tardou. Por isso a concorrência internacional não é para nós apenas um imperativo de eficácia económica. É sobretudo uma exigência cultural. A competição de empresas e profissionais estrangeiros não é indolor, claro. Mas, com custos pesados, talvez nos fizesse mudar.
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