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À procura dos direitos sucessórios

 

Mjoana

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arques de Pombal. Marques Mendes não perdeu a liderança do PSD. Ganhou um bilhete de ida-e-volta. O regresso ao seu lugar marcado na segunda fila, para a qual tem perfil justo (de não subestimar), começará com a derrota nas autárquicas. A não ser que manobre eximiamente a liberdade que os votos no adversário lhe podem garantir. O resto é o costume. Menezes teve bem mais multidão do que muitos gostariam (como se a laranja Lopes se esboroasse com a humilhação nas urnas), e uma fatia significativa dos seus apoiantes votou na moção de António Borges, que provavelmente não terá um futuro assim tão glorioso. É a isso que se referem com a figura líder populista-Governo sombra? A vitória coube a Cavaco, que depois do troféu nas legislativas de Fevereiro, soma e segue. Aliás, actualmente, quase se pode dizer que onde este ganha, joker para o PS. O PSD (ainda) sonha com Cavaco Silva. Se não chegar a Presidente da República, o partido continuará perigosamente a fantasia, no extenso álbum de que não se livra. Este congresso certificou o já maçador desvario da direita. Confirmou que o PSD mereceu a derrota absoluta de Fevereiro. Resta-lhe jejuar, esperar e pensar. Só que estas nobres e invencíveis artes, como dizia o Siddhartha de Hermann Hesse, são as mais laboriosas. Não constam nas moções, portanto. Muito menos nas que são apenas para o intervalo. Com poucas palmas e nenhum bis. Quanto à de Borges, e para além do trio com os Barões e a Banca, alguém explique donde vem a importância. Entre banalidades e o liberalismo estafado camuflado de social-democracia (para não afugentar a caça), resta o argumento do estrangeiro. Ah, pronto, esteve no estrangeiro. E com este provincianismo metade da história fica arrolada. Se bem que já tendo o Nobel da Literatura, com Durão Barroso na Comissão Europeia e José Mourinho entre o Chelsea e missões humanitárias, com as possibilidades de Guterres para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e D. José Policarpo como candidato a Papa, os militantes poderiam aspirar a um pouco mais. Um Messias vindo de Marte, por exemplo, onde se insiste em tentar encontrar a fórmula anti-solidão.

Ainda a trabalhar? Segundo The Work Foundation, Portugal está em terceiro lugar no ranking das horas extraordinárias, na Europa a quinze. Só se fazem mais horas extraordinárias no Reino Unido e na Irlanda. Outro estudo indica que Portugal tem os custos laborais mais baixos no mesmo universo de 15. A nossa única concorrência são os países de Leste. Compreendem-se os fóruns para a competitividade, os projectos-portugal, cheios de futuro, força, transformações e compromissos.

A vida depois da morte. Depois da morte do Papa, a Igreja terá que inflectir a sua rota. Carisma à parte, terá que fazer face ao colapso dos seus seguidores, à biotecnologia e ao mundo islâmico. A Norte, agastada entre os ricos, vexada com a pedofilia (é este o verbo… seria outro se não tivesse sido escolhido Bernard Law, ex-arcebispo de Boston, para celebrar uma das missas memoriais) pouco ressonante entre os livres e sucumbindo à caixinha mágica. A Sul, expandindo-se no meio dos pobres, entre a fome e a Sida. Umas vezes como recurso único, outras vezes irresponsavelmente, continuando a opor-se ao uso do preservativo, num discurso que dificilmente se compatibiliza com a "defesa da vida". A escolha do próximo Papa será o fiel desta balança. A Igreja aposta nos fiéis- -fiéis, em África e na América Latina, ou nos fiéis descrentes, decrescentes, não praticantes, nos EUA e na Europa? Ou fica pelo meio e tenta dar o sinal mais positivo possível ao mundo muçulmano? Provavelmente, poucas outras hipóteses restarão do que pôr no prato o casamento de padres ou até mesmo (menos provável) a ordenação de mulheres. Não é optimismo. É mesmo uma questão de sobrevivência. Enquanto o Vaticano começa a investigar os supostos milagres de João Paulo II, que procure ir arranjando forma de fazer este. Já não é pouco. A outra hipótese, a despolitização da Igreja, nem assim lá chegaria. E foi essa a maior lição que se tirou das mortes recentes.

genecanhoto@hotmail.com


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