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Referendo não pára processo

 

Há oito dias, o mandatário da parteira passou a audiência a bater-se pela suspensão do julgamento, com base no anúncio do referendo e apelando ao tribunal para que não se afirme "cego e surdo ao que se passa no País" . Três dias depois, noticiava-se a proposta, de duas deputadas independentes (e católicas) do PS, de suspensão dos processos. Mas tal proposta, deixada cair pelo respectivo grupo parlamentar com a justificação de que a prioridade é o agendamento do referendo, não teria, mesmo se aprovada, qualquer consequência neste processo, em que se está para além da fase investigatória. Outro efeito teria a aprovação da proposta apresentada pelo PCP na anterior legislatura. Porém, até ver, este julgamento, o quarto a merecer a atenção dos media na fase pós-referendo de 1998 e que no banco dos réus junta, como em caricatura da transversalidade do fenómeno do aborto, uma artista de vanguarda e uma trabalhadora rural, prossegue hoje, após vários incidentes processuais, incluindo um arquivamento e um desarquivamento, um incidente de recusa da juíza (não aceite), um interregno de seis meses e, na sessão de reinicio, há oito dias, um aceso despique entre o defensor de da parteira e a juíza.


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