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Moção 'Porto/Braga' à espera de Telmo Correia

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susete francisco  

Nuno Melo, primeiro subscritor da moção que reúne 15 distritais do CDS/PP, recusou ontem que haja um vazio de liderança no partido, e afirmou mesmo que o candidato preferido pelos apoiantes deste documento "já se terá decidido pela candidatura". O dirigente popular recusou-se a precisar qualquer nome, mas tudo aponta para aquele que, no CDS, é tido como o melhor candidato à presidência - Telmo Correia.

Falando na sessão de apresentação pública da moção "Portugal, Já", que decorreu ontem, em Lisboa, Nuno Melo traçou o perfil do candidato que as 15 distritais pretendem apoiar "sentido de Estado, percurso profissional e político, reconhecimento público, serviço prestado ao partido, capacidade e vontade de liderança". Já o tinha feito há duas semanas, quando foi anunciada a intenção de avançar com um documento estratégico, mas desta vez foi mais longe, apontando já para uma figura, ainda que sem a nomear. "O candidato que consideramos desejável já se terá decidido pela candidatura", afirmou o líder da distrital de Braga que, ao lado da estrutura do Porto, impulsionou a moção "Portugal, Já". "Admitimos que, existindo essa vontade já definida e esclarecida - quanto mais não seja para o próprio -, ainda não tenha sido comunicada ao partido e ao país. O que não significa que não exista", acrescentou.

Nuno Melo diz ter a convicção de que essa vontade existe "o facto de uma candidatura ser ponderada não significa que haja falta de vontade. É uma questão de timing". Neste contexto, as 15 distritais aguardam o momento "em que [o candidato] entenda apresentá-la" - altura em que "merecerá o apoio" das estruturas locais.

"Recados". Afirmando que a moção ontem apresentada "tem rostos, solidez, representatividade" e nomes que "vivem o partido há muitos anos", Nuno Melo voltou a deixar claro que quem se apresentar na corrida à liderança com o propósito de ganhar, terá de contar com esta moção. Há duas semanas os subscritores tinham já apresentado o documento como o "único com uma dimensão nacional".

Palavras que vão marcando o tom de uma crescente rivalidade e tensão entre os subscritores deste texto e os da moção "Afirmar Portugal" - um texto lançado pela distrital de Lisboa do CDS, que conta com o apoio de vários quadros do partido. Entre os subscritores desta moção contam-se também os líderes das distritais de Aveiro e Viseu, as únicas estruturas que não estão com o eixo Porto/Braga (além de Setúbal, que não declarou até agora qualquer apoio). Ontem, sem recusar que esta seja uma iniciativa de estruturas partidárias, Nuno Melo fez questão de frisar que entre os apoiantes estão nomes com dimensão "muito para além da vida política e pública". Além dos presidentes das distritais, entre os subscritores contam-se nomes como o histórico Narana Coissoró ou o presidente do Senado, João Abreu Lima.

Críticas. Na moção ao XX congresso do CDS, os apoiantes da "Portugal, Já" defendem que o conclave de 23 e 24 de Abril não deverá ser "nem o palco nem o tempo para lamber as feridas" - leia-se o resultado das últimas legislativas. Nesse sentido, a moção traça quase um programa de Governo, abarcando propostas para todas as áreas de governação - sendo que o objectivo traçado é precisamente o do regresso do partido ao Executivo, dentro de quatro anos.

No plano interno, a moção defende que o CDS "necessita de uma revisão organizacional completa", visando sobretudo a secretaria-geral do partido, actualmente liderada por Pedro Mota Soares. Neste capítulo, o texto refere que a secretaria-geral tem "de se mostrar presente, funcional, organizada, trabalhadora e eficaz" - e tem de "mostrar obra". "Claro que para tanto", acrescenta o documento, "terá que ser reestruturada e adaptada às novas realidades".

Quanto aos próximos desafios eleitorais e referendários, a moção defende a mobilização geral para as autárquicas - com o objectivo de "aumentar o número de autarcas" -, e o apoio a um candidato único de centro-direita, nas presidenciais. Nos referendos, propõe o sim à Constituição europeia e, no caso do aborto, uma pergunta que "incida sobre todas as questões relevantes em jogo".


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