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Festru acusa Carris de ter salas de «torturar pessoal»

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daniel lam  

A Companhia Carris de Ferro de Lisboa «tem duas salas de tortura, só com cadeiras e mesas, onde são colocados os trabalhadores que não aceitam alterações das suas funções, horários ou locais de trabalho que a administração lhes quer impor», denunciou ao DN o dirigente Vítor Pereira, da Federação dos Sindicatos de Transportes Rodoviários e Urbanos (Festru). Por seu turno, o secretário-geral da Carris, Luís Vale, defende que se trata de «um processo pacífico e não há perseguição a nenhum trabalhador».

De acordo com o sindicalista da Festru, nessas salas «as pessoas passam os dias sentadas sem fazer nada, só a cumprir o horário de trabalho. Algumas já estão arrasadas com a situação e psicologicamente afectadas».

Considerando que «a administração da Carris não olha a meios para atingir os seus fins quanto à redução de pessoal», a Festru acusa os dirigentes da empresa de «entenderem que, depois de convidar ou fazer propostas de rescisão de contratos à esmagadora maioria destes trabalhadores, caso não as aceitem, o único caminho é colocá-los nestas salas de isolamento até que se rendam às pretensões da administração».

«Estamos perante uma atitude desumana», denuncia a federação sindical, adiantando que a firma «tem onde colocar estes trabalhadores e só não o faz porque não quer».

A Festru «levou no dia 20 a Inspecção do Trabalho à Carris para tomar conhecimento da grave situação que vivem estes trabalhadores», revela um comunicado da federação. Acrescentando «esperar que rapidamente se acabe com as salas de isolamento na Carris, se respeite a saúde dos trabalhadores e se regularize a situação».

Por seu turno, o secretário-geral da Carris confirma ao DN que nas duas referidas salas «estão só 20 pessoas, o que é um número residual no universo da empresa». Luís Vale explica que esses trabalhadores «não são de áreas prioritárias da empresa. Só lá estão administrativos, técnicos e oficinais».

Segundo refere, «as pessoas foram disponibilizadas dos locais onde trabalhavam e ficam naquelas salas até chegarem a um acordo de rescisão de contrato com a empresa, negociando a respectiva indemnização. Como alternativa, podem ser reintegradas noutras áreas prioritárias, como fiscalização, guarda-freios e bilheteiras».

Acrescenta que «estas medidas inserem-se no processo de restruturação da empresa, que já dura há dois anos e ainda não houve um único caso de despedimento. Já saíram cerca de 1200 trabalhadores, todos por decisão própria».


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