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por
inês david bastos
Foi uma mensagem de Natal emotiva aquela que o primeiro-ministro demissionário dirigiu ontem ao País através da rádio e da TV. A tentar mexer com o coração dos portugueses, sobretudo dos mais desfavorecidos e desprotegidos. Santana Lopes apelou à esperança, à força e à tolerância... mas não conseguiu passar completamente ao lado da política doméstica, nem da sua «guerra» com o Presidente.
«Não é fácil perdoar, não é fácil compreender quem tenha atitudes que nós não tomaríamos, mas o Natal é isso mesmo tentar fazer o que não fazemos normalmente todos os dias», defendeu o chefe do Governo, agora em gestão até às legislativas de 20 de Fevereiro.
Já antes, Santana tinha considerado que «ser primeiro-ministro deve ser também um exemplo de tolerância, de resistência e de entrega ao trabalho», atribuindo também esse dever aos seus «adversários políticos» e a «todos os que lutam» para o substituir.
Mas a mensagem que quis fazer passar foi de esperança, «num momento em que todos sentimos que há motivos de preocupação», e de tolerância, num altura em que muitos se interrogam sobre o que será o futuro próximo».
«Como primeiro-ministro, quero pedir a todos para serem especialmente compreensivos para com a diferença, para sabermos tolerar», pediu.
E voltou a puxar pela emoção «Como primeiro-ministro gostaria, como num golpe de mágica, de criar todos os empregos que faltam, de resolver todas as injustiças.» Mas evitou as promessas concretas para não entar no campo da campanha eleitoral.
No final, deixou uma «palavra especial» às comunidades portuguesas no estrangeiro e «um abraço de esperança» aos que «choram, aos que menos têm e aos que mais precisam de atenção». A mensagem acabou, assim, como começou com Santana Lopes a explorar o lado mais sentimental e mais institucional.
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