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por
paula Sá
Ao som da música triunfante de Alexandre, o Grande, sob uma chuva de papelinhos laranja, entrou ontem Pedro, o grande do PSD em campanha eleitoral. Palco escolhido o pavilhão central da antiga FIL, num jantar de Natal que reuniu centenas de sociais- -democratas. Exactamente o mesmo local escolhido pelo adversário do PS, José Sócrates, há cerca de uma semana. Santana mediu assim as forças e, no pontapé de saída para a pré-campanha, disparou em várias as direcções, num discurso repleto de recados a Belém: «Tenho a certeza que se fosse António Vitorino a conseguir um lugar na União Europeia tudo seria elogiado, tudo seria aceite!»
Esta frase dita perante muitos dos ministros do seu Governo, agora de gestão, mereceu generosas palmas de um pavilhão, mesclado do povo social-democrata de Lisboa e de figuras gradas do partido. Tanto mais que Vitorino é tão só o dirigente socialista escolhido por Sócrates para redigir o programa de Governo do PS.
As palmas anteriores foram tantas quantas as que Santana Lopes recebeu, na sua constante estratégia de vitimização, ao afirmar que a ida de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia foi um «preço a pagar pelo partido». Mais uma vez numa crítica indirecta a Jorge Sampaio (que nunca nomeou), o mesmo Presidente da República que dissolveu o Executivo e que colocou o País numa «crise» e numa «confusão» que os portugueses não entendem. «Dizem que tudo isto já tinha sido previsto... não vou perder tempo com isso», assegurou, tendo já perdido muitos minutos do discurso à volta do tema.
Bipolarização. O líder do PSD bateu-se também pela bipolarização do eleitorado. Ou os portugueses escolhem o PS de Sócrates, o partido que no Governo «se sentou na cadeira do poder para nada mexer»; ou no PSD que tem um projecto transparente. «Ou governaremos sozinhos ou coligados com quem já dissemos aos portugueses». Sem nunca mencionar a sigla CDS ou o nome de Portas, Santana Lopes desafiou José Sócrates a dizer com quem governará caso não consiga a maioria absoluta. «Com o PCP ou com o Bloco de Esquerda? Se calhar depois tira a rifa.»
Neste discurso, que abriu a «guerra» eleitoral em tempo que se queria de armistício, Santana Lopes deu o tom da campanha eleitoral. Tentar demonstrar a todo o custo que «situação de pântano» em Portugal só foi criada pelos governos socialistas e nunca pelos do PSD. Neste afã até elogiou a obra feita pelos antecessores, Cavaco Silva e Durão Barroso. «Que reformas nos lembramos nós do PS?» - perguntou e respondeu «O rendimento mínimo garantido e a adesão ao euro». De resto, disse, «foi mexer o menos possível, dialogar muito e decidir pouco». Em contraponto colocou o PSD, «partido do sim, às reformas, à justiça, à mudança, à coragem». O País, afirmou, precisa de uma «uma grande volta, precisa de um Governo com a autoridade do voto popular».
Santana admitiu que parte com uma grande desvantagem em relação ao opositor político. «Mas vamos ganhar as eleições de 20 de Fevereiro!» - assegurou aos convivas que, apesar do peso das sondagens, se mostravam entusiasmados com o grito de vitória O líder deixou-os ainda presos a uma frase enigmática «Oxalá os portugueses soubessem tudo sobre os outros como sabem sobre mim...»
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