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«Dez hospitais novos são de mais»

 

A experiência da empresarialização dos hospitais é para continuar?

Sim. Não vamos agora passar uma borracha em cima de tudo o que se fez.

Mas é contra a criação de uma holding para os hospitais SA...

Sim. Ou temos uma holding ou hospitais autónomos. A vantagem dos hospitais SA é precisamente a de permitir autonomia na gestão. Devemos manter os hospitais, mas temos é de avaliar a experiência. Porque o Governo, infelizmente, não fez uma avaliação correcta. Embrulhou-se em propaganda desnecessária e hoje ninguém confia nos números do Governo sobre as contas dos hospitais SA. Tem de haver uma auditoria independente das contas. Sabemos que há hospitais que registaram como cirurgias injecções e curativos.

O próximo Governo deverá manter a lista de construção de 10 hospitais em regime de parcerias público-privadas?

É preciso rever essa lista, porque isso são hospitais a mais. Aqueles que estão na calha não se devem tocar. Estou a falar dos hospitais de Loures, Cascais, Sintra, Braga e Vila Franca de Xira. Agora, o da Guarda não é nada necessário. O de Évora pode esperar por melhores dias, assim como o do Algarve. Em compensação, aqui em Lisboa há, se calhar, vantagens económicas em transformar os velhos hospitais civis de Lisboa, S. José, Desterro, Capuchos, Santa Marta, Estefania e Curry Cabral num novo hospital. O que não se pode é voltar a fazer uma experiência como a de Loures, sem definir desde logo quais são os serviços que vão ser extintos noutros hospitais, para que aquele hospital abra. Loures, por exemplo, vai ter de absorver uma parte da Maternidade Alfredo da Costa, mais uma parte do Pulido Valente, mais uma parte de Santa Maria. Esse trabalho não está feito e tem de ser feito rapidamente.

É por questões financeiras que não se deve avançar com tantos hospitais?

Não necessariamente. É uma questão de prioridades. Temos de olhar para as zonas e ver onde são precisos hospitais novos, não é assim.

Então quem é que fez essa análise?

Foi o ministro Luís Filipe Pereira, que passou de quatro hospitais para dez, sem a correspondente análise. Os quatro que estavam definidos eram os da cintura norte de Lisboa Cascais, Sintra, Loures e Vila Franca de Xira. Foi a cedência a pressões de autarcas locais.

E o que defende para os centros de saúde? Também devem ter gestão privada?

Com certeza. Se temos hospitais concessionados, porque é que não havemos de ter centros de saúde com gestão privada? Geridos pelos próprios médicos ou por cooperativas. Isso está na Lei de Bases da Saúde, desde 1989. Nós temos de fazer experiências diversificadas.

Está na lei, mas a verdade é que ainda nunca foi feito. Se o PS vencer as eleições isso vai acontecer?

O que quero dizer é que não há argumentos constitucionais para impedir a gestão privada dos centros de saúde e não vale a pena pegarmos em tabus ideológicos. Não lhe vou dizer que os centros devem ser todos privatizados. Podem coexistir vários modelos.


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