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PS aceita apoio de Pinto da Costa e critica «leviandade» de Rui Rio

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francisco mangas  

O PS aceita o apoio de Pinto da Costa, presidente do FC Porto e arguido no processo «Apito Dourado», durante a campanha para as próximas eleições autárquicas. Mas «exclui» a possibilidade do dirigente desportivo ser o candidato do partido à presidência da autarquia portuense. Pinto da Costa afirmou, quinta-feira, que irá enfrentar o actual presidente da Câmara, Rui Rio (PSD), não afastando a hipótese de liderar uma candidatura.

Francisco Assis, em declarações ao DN, refere que os socialistas vão «apresentar candidatura própria», mas considera que o apoio de Pinto da Costa «é bem-vindo, não há qualquer dúvida». Uma possível integração do presidente do FC Porto nas listas do partido não está posta de parte, segundo o líder da PS/Porto. Essa decisão, no entanto, caberá ao candi- dato, que «terá carta branca» para constituir a equipa.

O súbito interesse de Pinto da Costa em ser «voz activa» nas próximas autárquicas surge como resposta às declarações polémicas de Rui Rio que, durante um colóquio - quarta-feira à noite, na Universidade Católica - , desvalorizou a importância do futebol para a imagem da cidade. «A prática infelizmente tem vindo a dar-me razão», disse o autarca numa referência ao processo «Apito Dourado», acompanhada com a alusão aos casos de Bernard Tapie, ex-presidente do Marselha, e Jesus Gil, o já falecido presidente do Atlético de Madrid, que foram condenados por fraude.

Estas declarações do presidente da Câmara Municipal do Porto, que há muito mantém uma relação crispada com o dirigente portista, desagradaram também ao PS. Para Francisco Assis, as palavras de Rui Rio «são indignas, levianas e ofensivas». O líder do PS/Porto acrescenta que a «presunção de inocência aplica-se a todos», por isso o apoio de Pinto da Costa à candidatura socialista «é bem-vindo» e será acolhido «sem complexos».

Uma «enormíssima gravidade» é como classifica Fernando Gomes as declarações do autarca do Porto. Gomes, que teve, há três anos, o apoio de Pinto da Costa na recandidatura à câmara - «foi um apoio discreto, quando eu regressava ferido de Lisboa» -, sublinha que «só existe uma forma de Rio aliviar a situação pedir desculpa formal ao FC Porto e à cidade».

Fernando Gomes diz, ainda, que são da «maior gravidade as acusações» de Rio. «Os tribunais é que decidem, e ele já está a julgar». E lembra que Jesus Gil «foi condenado como autarca de Marbella, e não enquanto dirigente do Atlético de Madrid».

O eventual apoio de Pinto da Costa à candidatura dos socialistas também é bem visto pelo antigo presidente da autarquia. «A palavra do presidente do FC Porto é importante, é uma pessoa popular e ouvida, e pode ter influência» na próxima campanha eleitoral. Não se devem esquecer, lembra Fernando Gomes, «os sucessos desportivos que ele conseguiu nos últimos anos».

Do lado da Direita, as reacções são diferentes. Marco António Costa, presidente da distrital do PSD do Porto, tenta desdramatizar a polémica. «O meu papel é preservar a serenidade e a tranquilidade nos momentos mais sérios». E diz manter «absoluto respeito pelas instituições» câmara e FC Porto, apesar desta «polémica ser indesejável».

O líder do CDS-PP no Porto, Álvaro Castelo Branco, por seu turno, desvaloriza o possível envolvimento de Pinto da Costa na campanha dos socialistas. «Não é novidade, já participou na última», recorda. E vai mais longe «A candidatura de Rui Rio não sairá fragilizada, porque nós não estávamos à espera de qualquer contributo» do presidente do FC Porto.

Segundo Álvaro Castelo Branco, a polémica é «entre o cidadão Pinto da Costa e o futuro candidato Rui Rio à Câmara do Porto». E não é nova «Há hostilidade de ambas as partes, não é benéfica para ninguém e tem prejudicado a imagem da cidade».

Pinto da Costa nas hostes socialistas também não preocupa o líder da concelhia do Porto do PSD. Francisco Ramos afirma que o partido «combaterá da mesma forma» qualquer adversário na corrida à presidência da câmara. «Todos os cidadãos, quem quer que seja, são livres de se expressar», acrescenta Francisco Ramos, que afirma «compreender» as afirmações de Pinto da Costa. A razão, aparentemente, é simples «Foram-lhe transmitidas informações distorcidas sobre o que Rui Rio disse.»


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