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David Mandim
O Presidente da República alertou, ontem, que a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto não deve submeter-se unicamente à perspectiva económica nem pode trazer como consequência a segregação social. Na intervenção, durante a cerimónia de constituição da sociedade «Porto Vivo», Jorge Sampaio deixou o desejo que o desenvolvimento deste tipo de sociedades perdure e não seja dominado pelos ciclos eleitorais. Rui Rio considerou que este é o passo mais importante do seu mandato.
Com o Salão Nobre cheio de notáveis da cidade e membros do Governo, a «Porto Vivo» ficou formalizada para iniciar a tão ansiada revitalização da Baixa portuense e assume-se como a primeira SRU do País, após um período de dúvidas. Jorge Sampaio iniciou mesmo a sua intervenção sem «ignorar a controvérsia que esteve na génese», referindo-se à difícil aprovação da SRU no Executivo camarário. «No Porto há sempre controvérsia», ironizou o Presidente, satisfeito por ter havido entendimento.
«Venho aqui fazer um voto para que este processo seja bem sucedido», garantiu Sampaio, reflectindo depois sobre uma série de desafios. Em primeiro lugar, os portugueses «vão ficar a saber se a construção civil prefere construir de novo ou está disponível para reabilitar».
As consequências nas pessoas merecem atenção. Sampaio recorreu a estudos franceses que indicavam existir um reforço de gente rica no centro e o afastamento de pobres para as periferias. «Fiquei contente ao ouvir (da boca de Arlindo Cunha) que haverá diversificação de oferta», expressou.
O Chefe de Estado alertou também que as cidades são organismos vivos, «que temos de cuidar em permanência». Por isso, considerou importante que a dimensão estratégica esteja acima dos ciclos eleitorais. «Era bom fazer um balanço daqui a dez anos», disse, logo brincando: «Cheira-me que pode ser daqui a um ano.»
De novo as regiões. Recorrendo à sua experiência de autarca em Lisboa, Sampaio disse que os municípios têm hoje «imensas responsabilidades» e problemas derivados de decisões do Estado Central. Faltam os meios e o Presidente reafirmou que em breve «temos que voltar a discutir as regiões». «Foi talvez uma pena não aproveitar a oportunidade proporcionada pelo referendo», em que se discutiu mais o método e menos o essencial.
Para Rui Rio, este é «um projecto que vai atravessar vários Executivos», sendo o momento mais importante do seu mandato porque é o início para «uma nova cidade», em que o regresso à Baixa é prioritário. O autarca portuense garantiu que o terreno foi preparado e agora há «condições para arrancar de imediato». «Teremos de ter, daqui por menos de dez anos, toda uma Baixa e um Centro Histório com a vida e a pujança que já conheceu», afiançou.
A «Porto Vivo», cujo capital exclusivamente público é didivido pela Câmara do Porto e pelo Insituto Nacional de Habitação, terá Arlindo Cunha como presidente do Conselho de Administração, com Paulo Morais como vogal. Joaquim Branco (como presidente), Rui Quelhas e Ana Maria Sousa constituem a Comissão Executiva.
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