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por
fernando de sousa
delegado em bruxelas
O dirigente do Grupo Liberal do Parlamento Europeu, Graham Watson, lançou um apelo à demissão, ou à suspensão, pelo menos temporária, do vice-presidente da nova Comissão Europeia Jacques Barrot.
Barrot é acusado de não ter prestado informações sobre uma anterior condenação por irregularidades no financiamento do seu partido, em França, no fim dos anos 90.
A denúncia desta condenação foi feita, no Parlamento Europeu, pelo deputado britânico Nigel Farage, conduzindo a fortes críticas de vários quadrantes, por Barrot não ter informado esta instituição, nem os presidentes cessante da Comissão Europeia, Romano Prodi, e actual, Durão Barroso.
Barroso já fez saber que só agora tomou conhecimento do assunto e notou que Barrot nunca fora impedido de exercer funções públicas, ao mesmo tempo que indicava a manutenção da confiança no seu vice-presidente.
A denúncia refere-se a uma condenação de Barrot, em 2000, por irregularidades no financiamento do Centro das Democracias Sociais (CDS) - de que foi secretário-geral, entre 1982 e 1991 -, precursor da União para um Movimento Popular (UMP), a formação partidária do actual Presidente francês, Jacques Chirac. Barrot teve uma pena suspensa de oito meses, que viria a ser amnistiada pelo próprio Chirac, levando a que a condenação tenha sido retirada do cadastro.
Graham Watson considera que o facto de Barrot não ter assinalado este caso «representa um abuso inaceitável de confiança. Para evitar afectar, gravemente, a reputação da nova Comissão, peço a Barrot que o demita ou, pelo menos, que solicite a suspensão de funções até que esta questão possa ser discutida e resolvida entre o Parlamento, a Comissão e o Conselho», de ministros da União Europeia. Watson já tinha considerado, anteriormente, que «a acção que levou à condenação de Barrot impedi-lo-ia de exercer funções públicas em muitos Estados membros da União Europeia».
O dirigente do Grupo Socialista do PE, Martin Schulz, também indicou que quer falar, urgentemente, com Barrot e com Barroso, para saber mais pormenores sobre este assunto.
Segundo Schulz, «não é normal que não tenhamos sido informados durante as audições (parlamentares), nem que o presidente da Comissão não tenha tido conhecimento desta história. Tudo deve ficar muito claro entre nós».
A Comissao anunciou, ainda, que Barrot transmitira, por escrito, ao Parlamento, «todas as informações sobre a sua situação pessoal». No entanto, será de esperar que os deputados lhe perguntem porque só o fez depois de o caso ter sido denunciado publicamente.
Numa Comissão que se apresenta como pretendendo ser uma instituição acima de qualquer suspeita, este caso poderá trazer contornos de grande sensibilidade no futuro próximo.
Este caso embaraçoso vem ensombrar o início, hoje de manhã, da actividade de Durão Barroso à frente da nova Comissão Europeia. Trata-se do primeiro português a assumir este cargo, ao fim de quase duas décadas de presença de Portugal na União Europeia.
A entrada em funções da nova Comissão ocorre após um compasso de espera suplementar de três semanas, devido ao adiamento da votação da nova equipa, no Parlamento Europeu (PE), na sequência de recriminações contra alguns dos seus elementos, especialmente o italiano Rocco Buttiglione.
Após uma remodelação limitada, os eurodeputados viriam a apoiar a Comissão por 449 votos a favor, 149 contra e 82 abstenções. Buttiglione foi substituído por Franco Frattini, e Ingrida Udre, da Letónia, seria trocada por Andris Piebalgs. Uma das razões que levaram a reservas do Parlamento Europeu quanto a Udre prendia-se, precisamente, com suspeitas quanto ao financiamento do seu partido político.
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