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Os bispos espanhóis iniciam hoje uma campanha publicitária e de mobilização social contra algumas das reformas sociais introduzidas pelo governo socialista de José Luís Rodriguez Zapatero. Os panfletos vão começar a ser distribuídos à porta das igrejas, mas os bispos negam que esta ofensiva seja uma «acção política», preferindo situá-la no âmbito da «acção pastoral».
Tal com está desenhada, a campanha reúne todas as características para ser considerada quase como «uma declaração de guerra» ao governo, já que aborda temas como os casamentos gays, o divórcio, o aborto e a supressão das aulas de religião nas escolas. Tudo medidas sobre as quais os espanhóis já se mostraram a favor. Segundo as sondagens, mais de 60% concordam com as reformas de Zapatero, o que terá preocupado a Igreja.
Os bispos argumentam que é necessário que os católicos tenham uma opinião clara sobre o que pensa a Igreja a propósito das iniciativas dos socialistas e, para isso, querem entrar em debate. E, se for caso disso, «levá-lo à rua para mobilizar as consciências», explicou o porta-voz da Conferências Episcopal, Juan António Martinez.
Os bispos rejeitam a ideia de que esta mobilização tem também como objectivo levar grupos ultra-conservadores a organizar manifestações de rua.
O certo é que a campanha surge numa altura em que o porta-voz da Conferência Episcopal reconhece que os bispos não estão satisfeitos com o actual modelo de financiamento da Igreja católica pelo Estado - através de uma subvenção directa e da atribuição do 0,52% do IRS quando os contribuintes assim o expressarem nas suas declarações. O governo, por seu lado, ainda não reagiu. Até agora, Zapatero tem procurado amenizar este confronto público entre sociedade e igreja, ambas reivindicam direitos, obrigações e espaços próprios para cada uma. Contudo, o presidente do Executivo admite um crescente laicismo da sociedade espanhola.
A primeira fase da campanha começa hoje com a distribuição de 7,5 milhões de folhetos, cujo custo se estima que tenha rondado os 80 000 euros, e com as homílias pastorais viradas para temas específicos. A eutanásia vai ser abordada. É que, apesar de o Governo nunca ter incluído a sua legalização nos programas, as sondagens indicam que em cada grupo de dez médicos, seis defendem o direito a morrer.
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