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JOSÉ MANUEL BARROSO
J osé Pacheco Pereira quis falar para o interior do PSD e mandar recados a Santana. Poderia tê-lo feito, muito simplesmente, usando a sua coluna no Público. Ou a sua condição de militante partidário. Mas resolveu aproveitar a boleia do meu editorial de segunda-feira, que interpretou de «conselhos» ou «desejos» políticos. Não, não era isso. O meu texto limitava-se a ser um desenho do horizonte político de Santana, enquanto primeiro-ministro e enquanto presidente do PSD, identificando os desafios que se colocam, a curto prazo, ao líder da maioria governamental. Era um puro exercício de análise, como Pacheco tantas vezes fez (e, atrevo-me a dizer, fará) na sua coluna. Um tipo de texto que poderei repetir, quando o entender, em relação a outros responsáveis políticos, do Governo ou da oposição. Mas Pacheco esqueceu muito do que defendeu em tantos escritos seus, agora que embarcou nesta doença infantil do grito «olha o papão» e aderiu ao partido maniqueu do quem não pensa como eu não tem direito a ter opinião. Há algo que Pacheco - e os leitores - deve saber. Aqui não há cobardes. O DN não aceita pressões de quaisquer centrais de informação, sejam de que cor forem. Não precisa dos «conselhos» ou «recados» de Pacheco. Nem aceita as pressões da central dos politicamente correctos, que vendem análise comprometida por análise descomprometida. O director do DN não é militante partidário, é um jornalista independente. Pacheco é um militante partidário que, e está no seu direito, discorda do líder que tem. Se for corajoso, não precisa da boleia dos editoriais do DN para fazer política partidária travestida de análise isenta. A menos que seja recente reforço da operação comercial montada para convencer alguns leitores de que só há um jornal independente. Pacheco: no DN, não há jornalistas nem colunistas que façam fretes à direcção comercial.
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