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joaquim brito camacho
Um dos cinco aviões P-3C Orion que Portugal vai comprar à Holanda sofreu há mais de um ano, durante uma reparação na OGMA, um acidente que lhe provocou estragos consideráveis. De acordo com informações facultadas ao DN por Marco Borst, do P-3 Orion Research Group, um dos tanques explodiu durante testes a uma fuga de combustível, danificando irremediavelmente uma das asas.
Construído em Outubro de 1982 em Burbank, EUA, o avião, com o n.º de série 161372 da Marinha norte-americana e o n.º de registo 304 da Marinha holandesa, precisa de uma asa nova ou de uma «muito difícil e dispendiosa reparação».
As hipóteses de asa nova são problemáticas, disse Marco Borst ao DN, pois a linha de produção do P-3 Orion, fabricado pela empresa norte-americana Lockheed (hoje Lockheed Martin), encerrou em 1995. Os direitos de produção e toda a maquinaria necessária ao fabrico das asas foram adquiridos pela também americana Northrop Grum-man, mas até agora a Grumman não construiu uma só asa e é duvidoso que reactive a linha de produção para um único avião português.
Existe a possibilidade de uma asa em segunda mão de um dos muitos P-3C Orion da Marinha dos EUA retirados do serviço. Mas essa asa deverá, em princípio, ter o mesmo número de horas de voo do avião em que vai ser enxertada.
De acordo com Marco Borst, os aviões holandeses que Portugal tenciona adquirir têm 10 000/12 000 horas de voo, enquanto os da Marinha americana armazenados no deserto têm quase todos mais de 20 000. Isso implica que a vida útil do aparelho passe a ser a que resta à asa mais «gasta», em prejuízo da relativa juventude do avião comprado à Holanda. Quanto à reparação, não está garantido que ela seja sequer possível, adianta Marco Borst.
O DN procurou saber junto da presidente do conselho de administração da OGMA, Maria do Rosário Ventura, a situação actual do aparelho em causa, mas, de acordo com a sua secretária, o exclusivo das informações pertence ao Ministério da Defesa, através de Pedro Guerra, assessor de imprensa do ministro.
Contactado pelo DN, Pedro Guerra afirmou inicialmente não ter qualquer informação sobre o assunto, mas confirmou mais tarde o acidente, declarando que o problema «está em vias de ser resolvido» e que a OGMA tem capacidade para fazer tanto a substituição da asa como a reparação, dependendo «da opção técnica que for tomada». O ministério sublinha que «a OGMA faz a manutenção dos P-3 da Holanda e de vários países há longos anos, tratando-se do único centro na Europa reconhecido e autorizado pelo fabricante do aparelho (a Lockheed Martin)».
Sobre a dificuldade de encontrar uma asa compatível, o ministério garante: «Claro que haverá asas adequadas para a substituição, se for essa a via seguida.» E adianta que «foi realizado um estudo detalhado, devendo agora os técnicos da OGMA e da Lockheed Martin decidir qual a melhor opção: substituir a asa ou repará-la». Em todo o caso, «qualquer que seja a solução escolhida, o avião ficará sempre operacional», sublinha.
Tendo o acidente ocorrido «há mais de um ano», segundo as informações a que o DN teve acesso - ou «há perto de um ano», na versão do ministério -, perguntámos as razões da demora, obtendo como resposta que tal se deve ao facto de «os técnicos da OGMA e da Lockheed Martin estarem ainda a equacionar qual a melhor solução».
À pergunta sobre quem pagará a reparação ou substituição da asa, o Ministério da Defesa respondeu que essa responsabilidade «será sempre suportada pela companhia de seguros».
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