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por
graça henriques
nuno simas
A análise dos sociólogos não deixa margem para dúvidas: os portugueses estão mesmo descontentes com a actuação do Governo. Esta é, na opinião de Manuel Villaverde Cabral e André Freire, a razão que explica a subida estrondosa do PS no Barómetro da Marketest para o DN e a TSF. O partido de José Sócrates chega praticamente aos 50% das intenções de voto e esmaga o PSD, que atinge um mínimo histórico de 28,4%.
O sociólogo Manuel Villaverde Cabral considera que o resultado da sondagem publicada ontem «é normal». Próprio do fim de um ciclo político? «É o mínimo que se pode dizer.» O politólogo atribui o baixo score do PSD ao desagrado dos portugueses com o Executivo liderado por uma pessoa - Santana Lopes - que «não está à altura do cargo» e que das «poucas coisas que fez» foi a criação de «uma central de propaganda». Os problemas são mais que evidentes, segundo afirma: a perda do poder de compra, o aumento do desemprego entre os jovens...
Das críticas de Villaverde Cabral não se salva o Presidente Jorge Sampaio pela «decisão lamentável» de ter dado posse, em Julho, a Santana Lopes, após a saída de Durão Barroso. Os resultados do Barómetro são um «sinal de descontentamento com o Governo e com o Presidente», afirma.
Mas a vitória do PS não é por mérito do principal partido da oposição, que «nada fez» além de mudar de líder. Em síntese: o PSD «perde» por «demérito do Governo, que não pára de receber cartões vermelhos da população».
Também o politólogo André Freire acredita que os portugueses querem penalizar o Executivo. «Os resultados traduzem uma apreciação negativa da performance do Governo, cujo primeiro-ministro diz uma coisa e duas semanas depois outra, e cujos se ministros se desdizem entre si.»
E sustenta igualmente que o Presidente da República deve interpretar estes sinais da opinião pública. Sampaio deve redobrar a vigilância, tanto mais que, refere o sociólogo, os resultados mostram «uma constância incrementada do descontentamento» face aos barómetros anteriores.
André Freire alerta ainda para a expressiva «votação» nos partidos da esquerda - somados, PS, PCP e Bloco de Esquerda chegam quase aos 65% das intenções de voto. Curioso é o facto de a vitória dos socialistas não traduzir o fenómeno do voto útil. Se assim fosse, «os restantes partidos da esquerda tenderiam a ressentir-se». E o facto é que os comunistas mantêm-se nos 8 %, enquanto os bloquistas continuam em ascendência, estando agora próximos dos 7%.
Os socialistas estão cautelosos, mas não escondem a força anímica que esta sondagem dá ao partido. «Não há memória de uma diferença tão grande entre os dois maiores partidos. Não confundimos barómetros com votos, mas este resultado confirma que o PS se apresenta como uma alternativa ao Governo», disse ao DN Pedro Silva Pereira.
O porta-voz do PS enumera as razões que, no seu entender, justificam estes resultados: «O Governo está a governar mal e os portugueses estão descontentes; o PS surge cada vez mais como uma alternativa e apresenta uma liderança credível, enquanto a do PSD é desacreditada.»
coligação desvaloriza. Os dois partidos da maioria relativizam o barómetro. Miguel Relvas começa por dizer que não comenta sondagens, até porque «as sondagens não votam e são como a neve: derretem com o sol e solidificam com o frio.» Mas também não deixa de considerar que o PSD tem todas as condições para ganhar as eleições de 2005. «Só depende de nós», frisa o secretário-geral do PSD.
O dirigente social-democrata faz ainda questão de referir que o estudo de opinião (que atribui apenas 28,4% das intenções de voto ao partido) em nada altera o seu estado de espírito: «Não entro em euforias com as sondagens - como a última do Expresso que dava a maioria à coligação -, nem em depressão com estes resultados.»
Da parte do CDS/PP, o vice-presidente, António Pires de Lima, mostra um «semi-agrado» com a subida do partido (está agora nos 3,3%), mas considera que o Barómetro da Marktest tem revelado «um equívoco total em relação ao CDS, pois o partido vale muito mais» que os valores sistematicamente apresentados. Compreende que o PS esteja em alta e o PSD em baixa: «É normal que os partidos do Governo sejam castigados, estamos a meio de uma legislatura.»
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