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rudolfo lago
correspondente em brasília
A uma semana da segunda volta das eleições municipais, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, candidata à reeleição, chorou. Marta participava numa reunião com cerca de 300 representantes de associações de reformados. Ali, para justificar as suas dificuldades, a prefeita disse ser vítima de preconceito - por ser mulher - e de perseguição da imprensa.
O choro, na verdade, reflecte as dificuldades de Marta Suplicy na recta final da campanha em São Paulo, principal metrópole do país. José Serra, o adversário de Marta na segunda volta, aparece em todas as pesquisas de intenção de voto com larga margem de vantagem. Parte dos aliados da prefeita na campanha já parecem desanimar. E, para completar, o responsável pelo marketing da sua campanha, o publicitário Duda Mendonça, foi preso na quinta-feira no Rio de Janeiro.
Tido como génio do marketing político, Duda é o mesmo publicitário que conduziu a vitoriosa campanha do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira, Duda estava numa rinha de galos. As brigas de galo, por maltratarem os animais, são proibidas no Brasil desde a década de 60, mas prosseguem várias rinhas clandestinas na periferia das cidades. A polícia do Rio de Janeiro iniciou uma operação de encerramento dessas rinhas e, numa delas, «flagrou» Duda Mendonça.
O publicitário ainda tentou valer-se da sua amizade com o Presidente Lula. Telefonou para o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pedindo ajuda. Bastos, porém, nada podia fazer. «Meu amigo, acho que você precisa de um bom advogado», limitou-se a dizer o ministro da Justiça. Com a prisão, Marta acabou por afastar Duda Mendonça da campanha.
derrotas. Enquanto Marta chora, anima-se a oposição ao Governo de Lula. Na primeira volta das municipais, o PT, principal partido do Governo, teve um excelente desempenho. Tornou-se no partido com mais votos. Mas, agora, não consegue repetir esse desempenho.
Além da possível derrota de Marta Suplicy em São Paulo, tudo indica que o PT também perderá a prefeitura de Porto Alegre. É uma derrota dolorosa para o partido. Os petistas governam a cidade há 16 anos. Porto Alegre vem sendo apontada, ao longo deste tempo, como a vitrina da boa administração do PT. Agora, todas as forças políticas uniram-se na segunda volta em torno do candidato do PPS, José Fogaça. Raul Pont, o candidato do PT, ficou isolado.
aliança. Com a vitória de César Maia, do PFL, já na primeira volta, no Rio de Janeiro, e a possível vitória de Serra, agora em São Paulo, os dois principais partidos de oposição ao Governo ficarão com o comando das duas mais importantes cidades brasileiras. Por isso, PFL e PSDB já se preparam para disputar juntos as eleições presidenciais de 2006. Repetirão, assim, a aliança que levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a governar o país por oito anos. Na semana passada, os comandos do PFL e do PSDB estiveram reunidos em São Paulo. Os partidos ainda não têm um nome para enfrentar Lula, que disputará a reeleição. O mais provável é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB. Mas César Maia, reeleito folgadamente para o cargo de prefeito do Rio de Janeiro, também entra na contenda.
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