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jacinta romão
Investigadores das políticas de ensino superior, nacionais e estrangeiros, consideraram ontem, em Leiria, que o fundamento principal da aplicação da Declaração de Bolonha é a poupança de dinheiro com a formação dos seus cidadãos. Pretende-se igualmente «criar mão--de-obra especializada mais barata. Mas o processo está todo «muito atrasado».
Os professores estiveram reunidos dois dias para fazerem a análise comparativa do ensino politécnico nas instituições europeias de ensino superior e discutiram os casos austríaco, irlandês, flamengo, holandês, finlandês, alemão e português.
Alberto Amaral, do Centro de Investigação de Políticas de Ensino Superior, e Válter Lemos, da Politécnica, Associação dos Institutos Politécnicos do Centro, apresentaram, nas conclusões finais, uma visão muito crítica do processo. Ambos consideram «não ser por acaso» que a Declaração de Bolonha tenha sido assinada pelos ministros da Educação dos respectivos países. «Outro alcance teria a ratificação se fosse feita por conselhos de reitores», sustentaram ao DN, à margem dos trabalhos. Alberto Amaral explica que a Europa pretende gerar «mão--de-obra mais barata para fazer face à concorrência externa». Para si, «há uma grande incerteza sobre o que vai acontecer com o processo de Bolonha». E explicou que, «com uma formação mais curta, a Europa poderá pagar salários mais baratos». Por outro lado, o modelo previsto, tendo como base as licenciaturas de três anos, seguida de mestrado e de doutoramento, pode levar os Estados a financiarem só a licenciatura. Isto significa, para Alberto Amaral e Válter Lemos, que «os Estados podem optar por financiar só a licenciatura e desresponsabilizar-se do resto da formação, passando esse ónus da actualização em situação de trabalho para o cidadão». Alberto Amaral diz que, em Itália, esta é uma opção que já se verifica.
Mas este processo está muito atrasado, segundo os professores. «A Irlanda não fez nada. Inglater-ra muito pouco. Em Espanha está tudo parado. E em Portugal a Declaração de Bolonha não pode ser aplicada sem uma nova Lei de Bases do Ensino Superior.» Por isso, o processo pode «levar uns anos, o que é bom porque as coisas não devem ser feitas à pressa».
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