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25 MILHÕES MUDAM MARGINAL DE VIANA

por

PAULO JULIÃO  

Projectos de eleição. Dos estiradores de Souto Moura, Siza Vieira e Fernando Távora saíram os edifícios que transformam Viana na meca da arquitectura, como lhe chamou, há poucos dias, a revista inglesa da especialidade 'Wallpaper'.Uma revolução ainda em curso

Exemplos mais emblemáticos são junto ao Lima

Longe vai o tempo em que o Minho era sinónimo de agricultura, pesca artesanal e algum atraso. A cidade de Viana do Castelo é hoje prova disso e distingue-se pela arquitectura dos edifícios que ali vão sendo construídos. No início desta verdadeira reforma urbanística, o autarca Defensor Moura apontava o desejo de ver os futuros imóveis servirem de "inspiração" aos jovens estudantes de arquitectura. A meca da arquitectura é hoje uma realidade e foi classificada como tal pela revista inglesa da especialidade Wallpaper.

"É gratificante ver que o esforço que fizemos nos últimos anos para qualificar os nossos edifícios é reconhecido por uma revista tão importante, especialista em estudar os estilos de vida internacional. Hoje, podemos dizer, a nossa cidade é visitada por escolas de arquitectura", sublinha Defensor Moura, sem esconder o orgulho com o título atribuído pela Wallpaper.

A marginal da cidade, junto ao rio Lima, é um dos exemplos maiores desta mudança e traduz-se em 25 milhões de euros de investimento, que mudaram radicalmente uma área quase abandonada. Uma espécie de revolução como a que sofreu a Zona Oriental de Lisboa para a Expo'98, mas à escala local.

Tudo começou com a reconversão do antigo edifício de apoio à marina de recreio da cidade, transformado em 2005 no 'Cais de Viana', o segundo investimento do género do grupo Douro Cais, depois de Vila Nova de Gaia, e após anos de desocupação e vandalismo. Fruto de um investimento de 2,5 milhões de euros para a adaptação e com uma vista privilegiada sobre o Lima, o equipamento acolhe hoje vários estabelecimentos de restauração de referência.

Continuando a viagem pela Marginal, lado a lado com o Lima, surge a marca de Fernando Távora na cidade: a Praça da Liberdade. São dois edifícios da sua autoria que ladeiam o monumento ao 25 de Abril. "Grande parte do que temos hoje na cidade resultou de um trabalho de quinze anos desenvolvido com o arquitecto Fernando Távora. Desde a elaboração de planos de pormenor a outros estudos urbanísticos", explica o socialista Defensor Moura.

Logo ao lado, num verdadeiro rasgo de luz, com o rio de fundo, ergue-se a já emblemática Biblioteca Municipal que nasceu do lápis de Siza Vieira. Custou mais de 4,5 milhões de euros e foi inaugurada há pouco mais de um ano, sendo visita obrigatória para os amantes da arquitectura, o que até já 'valeu' a Siza Vieira o I Prémio Nacional de Arquitectura Contemporânea.

"Sou um bibliógrafo, mas dada a beleza da estrutura até a preferia vazia para poder ser totalmente apreciada no interior", reconheceu, por diversas ocasiões, o autarca de Viana. Só na Marginal, o investimento que deu nova vida a um espaço que não passava de um conjunto de pavilhões e outras construções sem uso, abandonadas ou obsoletas, foram investidos - entre dinheiros comunitários, da autarquia, do Estado ou pelo programa Polis -, mais de 25 milhões de euros.

Contrariando o que era a preocupação de muitos, o rio acabou por ser 'devolvido' à cidade, e depois de Siza, até ao final do ano surgirá mais uma obra emblemática na marginal do Lima, de outro discípulo de Távora, o criador da Escola do Porto. Trata-se do Coliseu da cidade desenhado por Souto Moura, que terá capacidade máxima para quatro mil pessoas e uma "vocação especial" para grandes exposições, circo, congressos e espectáculos musicais. "A construção está nas fundações, que é o processo mais complicado porque vai ficar quatro metros abaixo do nível da água. No final do ano deve estar concluída e vamos ter um tríptico", explica o autarca.

Entre outras emblemáticas e recentes edificações, há ainda a somar o novo hotel de quatro estrelas, instalado há poucos meses numa das entradas da cidade. Trata-se do "futurista" Axis, um investimento de 12 milhões de euros do grupo turístico Turilima/Empofir, vocacionado para um segmento de turismo business spa e cuja arquitectura deixa a ideia de um conjunto de peças de Lego. "Uma cidade marítima portuguesa está a ser transformada numa Meca da Arquitectura, com uma colecção de edifícios ao gosto de Fernando Távora, e agora a chegada de um hotel inovador em pilha", escreve, a propósito, a Wallpaper.


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