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Investigadores portugueses 'reeducam' células

 

Descoberta. Investigadores portugueses descobriram como se pode identificar e controlar células imunitárias. O objectivo é conseguir levar os linfócitos T a actuar apenas contra as infecções e para que não promovam doenças auto-imunes como a diabetes

Estudo foi realizado na Faculdade Medicina de Lisboa

Investigadores portugueses descobriram como se pode identificar e controlar células imunitárias (linfócitos T), o que pode abrir novas perspectivas na imunoterapia do cancro e das doenças auto-imunes.

Estas células são responsáveis pela defesa do organismo contra infecções ou pelo desenvolvimento de doenças auto-imunes. A descoberta feita vem com o objectivo de controlar os linfócitos T para actuarem contra infecções e não para promoverem doenças como a diabetes.

O estudo, realizado em Portugal por investigadores da Unidade de Imunologia Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e em colaboração com equipas estrangeiras, foi ontem publicado na edição online da prestigiada revista científica Nature Immunology.

"Descobrimos uma maneira de diferenciar duas populações de linfócitos T que produzem factores com actividades biológicas distintas", disse o responsável pela equipa de investigação, Bruno Silva Santos.

Os linfócitos T são glóbulos brancos produzidos no timo (órgão situado sobre o coração) que nos defendem contra infecções e tumores. Contudo, também podem ter efeitos indesejáveis, sobretudo se atacarem as nossas próprias células, o que origina doenças como a diabetes ou a esclerose múltipla (chamadas doenças auto-imunes). "A relevância do nosso estudo está em termos identificado uma forma nova e definitiva para discernir entre as células T protectoras e as que induzem doenças auto-imunes", esclarece Julie Ribot, primeira autora do estudo e investigadora na Unidade de Imunologia Molecular do IMM.

"Sabemos agora que manipulando a proteína CD27 (proteína que pode manipular as células-mãe comuns presentes no timo) à superfície das células T podemos modificar o seu rumo", completa Bruno Silva-Santos. E acrescenta: "O processo que identificámos funciona como uma "reeducação" das células T dos ratinhos e abre perspectivas na imunoterapia de doenças inflamatórias e autoimunes."

O estudo contou com a colaboração do Instituto Gulbenkian de Ciência e vários investigadores estrangeiros.


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