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Alunos de colégio privado dão exemplo de serviço comunitário

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ANA BELA FERREIRA  

Solidariedade. Voluntariado é condição para estudantes passarem de ano

Estudantes do Saint Dominic's partilham experiências

"Fiz muito mais desde que estou numa cadeira de rodas do que quando podia andar." O testemunho de Salvador Mendes de Almeida, fundador da associação com o seu nome que luta pelos direitos das pessoas com mobilidade reduzida, deixou impressionados os quase 200 jovens, de vários países, reunidos em Cascais.

Os alunos do Saint Dominic's International School (SDIS) são em Portugal os únicos que têm o serviço comunitário como disciplina obrigatória, desenvolvendo ao longo do ano acções de apoio a associações como a Banco Alimentar ou a Ajuda de Mãe. E ficaram impressionados com a forma bem-disposta como Salvador contou a sua história e descreveu o acidente que o deixou paraplégico.

Os finalistas deste colégio em S. Domingos de Rana, juntaram-se aos dos últimos anos do secundário de Saint Dominic's de países como Jordânia, Áustria, Reino Unido, Espanha, Itália, Rússia e Turquia, para a II Conferência Anual de Serviço Comunitário e Aprendizagem.

O objectivo é partilhar experiências de voluntariado. E nem a chuva que caiu durante o dia de sexta-feira, em Cascais, desmotivou os alunos que partiram à descoberta das instituições portuguesas onde os colegas trabalharam no último ano. O percurso até ao Centro Paroquial do Estoril foi feito a pé debaixo de temporal. Musa, um aluno jordano, pergunta se em Portugal o Inverno é sempre assim. Mas isso não o impede de dizer: "Estou a adorar estar aqui. Portugal é muito diferente, pode-se fazer tantas coisas aqui, ao contrário de Amã, onde não se pode fazer nada."

A conversa serviu para aliviar a longa caminhada até ao Centro Paroquial, onde os estudantes ficaram a conhecer a missão da instituição. O objectivo é que também os SDIS de outros países se envolvam com as instituições portuguesas e decidam ajudá-las. À semelhança do que já faz o colégio português através do apoio a projectos como a Nandi School, na África do Sul, para onde recolhem livros e computadores.

Nesta escola, o voluntariado dos alunos é levado a sério. "A ideia-base é: se o aluno não faz serviço comunitário, não passa de ano", explica a directora do SDIS português, Maria do Rosário Empis. O serviço comunitário é uma forma de os alunos darem algo à sociedade, "por terem a sorte de frequentar o melhor sistema de ensino do mundo", acrescenta a responsável.

A disciplina de serviço comunitário surgiu como "um caminho para a paz", por permitir "uma partilha de experiências" entre os alunos e as populações mais carenciadas, conclui.

A reunião internacional de todos os alunos finalistas permite-lhes "discutir os problemas e ver onde podem fazer a diferença", diz por sua vez Marianne Bergesen, a coordenadora internacional do projecto. "Esta conferência liga alunos de todo o mundo e leva-os a procurar soluções para essas situações", conclui.

Com a convicção de Marianne Bergesen de que "à medida que o programa cresce os alunos estão mais empenhados", o encontro internacional de quatro dias repete-se no próximo ano. Mas desta vez no Reino Unido.


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