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SUSANA SALVADOR
Fóssil. Dentro do crânio fossilizado de um antepassado das raias e tubarões foi encontrado um minúsculo cérebro, o mais velho alguma vez descoberto. "Agora podemos começar à procura de outros", disse um dos cientistas do projecto
Crânios costumam chegar espalmados aos nossos dias
Os cientistas estavam a usar a luz sincrotrónica para analisar um dos poucos crânios completos de um peixe iniopterygian, um antepassado com 300 milhões de anos dos tubarões e das raias, quando se depararam com algo estranho. Mais testes revelaram um pequeno cérebro fossilizado, o mais velho alguma vez encontrado.
"Durante muitos anos, os paleontólogos usaram a forma da cavidade do crânio para pesquisar a morfologia do cérebro, porque o tecido mole não estava disponível", indicou o principal autor da descoberta, Alan Pradel, do Museu Nacional de História Natural francês. "Os tecidos moles fossilizaram no passado, mas são normalmente músculo ou órgãos como os rins", afirmou por seu lado John Maisey, do museu homólogo norte- -americano, em Nova Iorque. "Os cérebros fossilizados são pouco comuns e este é, de longe, o mais velho exemplo conhecido", acrescentou.
O cérebro do peixe, descoberto no estado norte-americano de Kansas, terá fossilizado "graças à presença de bactérias que cobriram o cérebro antes do início da decomposição", indicou Alan Pradel no artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Normalmente, os fósseis do crânio deste animal chegam aos nossos dias espalmados, o que impede estudos pormenorizados.
Os exames com a luz sincrotrónica, no laboratório europeu em Grenoble (França), permitiram recolher informações detalhadas sobre a estrutura do cérebro. "É possível ver o cerebelo, a espinal medula, os lobos ópticos e os nervos", indicam os cientistas, que fizeram uma reconstrução a três dimensões do crânio.
O peixe, que não media mais de 50 centímetros de comprimento, tinha um cérebro simétrico de 1,5 por sete milímetros. "Agora, que sabemos que os cérebros se podem preservar dentro de fósseis tão antigos, podemos começar a procurar outros", afirmou Maisey, abrindo caminho ao estudo do desenvolvimento do cérebro em animais vertebrados.
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