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Sócrates evita dar pretextos a Alegre para romper com o PS

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JOÃO PEDRO HENRIQUES  

Congresso do PS. Mesmo sabendo que Manuel Alegre ia recusar, Sócrates insistiu em convidá-lo para a Comissão Nacional do partido. Uma atitude de "abertura e tolerância", sublinhou o braço-direito do secretário-geral, Pedro Silva Pereira

A direcção do PS deu ontem vários sinais de que tudo fará para manter Manuel Alegre vinculado ao partido, evitando dar-lhe pretextos para uma ruptura.

Apesar de o ex-candidato presidencial já não fazer parte, desde 2006, dos órgãos nacionais do partido, José Sócrates fez questão de o convidar a integrar a Comissão Nacional, passando por cima do facto de Alegre ter recusado participar nos trabalhos do XVI Congresso do partido, que ontem terminou, em Espinho.

Alegre recusou mas a direcção, através de várias vozes - Capoulas Santos, Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira - fez saber que o convite tinha sido feito, não lhe cabendo portanto responsabilidade na insistência do ex-candidato em manter-se fora da estrutura directiva do partido.

A este propósito, Pedro Silva Pereira, braço-direito de Sócrates na condução política da maioria socialista, deixou uma declaração significativa à TSF: "A questão que a nós devia ser colocada é saber se o PS teve ou não teve uma atitude de tolerância e abertura. Teve."

Silva Pereira falava também do facto, igualmente muito publicitado pela direcção do partido, de outro nome de peso na ala esquerda do PS, João Cravinho, só ter ficado de fora por sua responsabilidade, recusando também, como Alegre, um convite de José Sócrates. Quanto a Alegre especificamente, sublinhou que este aceitou "afirmar a sua pertença à Comissão de Honra" do Congresso.

A reunião terminou ontem à hora de almoço. A intervenção final de José Sócrates ficou marcada por algumas propostas (ver caixa), por críticas a Manuela Ferreira Leite ("A democracia vive-se todos os dias, não conhece feriados nem tira férias"), por um certo dramatizar do objectivo da maioria absoluta ("o tempo não é de aventuras. A última coisa de que o país precisa é que a uma crise económica se some uma crise política"), por apelos à moderação salarial nos gestores bancários - mas também por alguns silêncios: não insistiu em transformar a próxima campanha eleitoral num plebiscito à "campanha negra" do Freeport; não voltou a levantar a bandeira dos casamentos entre homossexuais; não criticou quem no PS (Alegre, claro) alimenta "convergências" com o Bloco de Esquerda que enfraquecem o PS.

A lista do secretário-geral para a Comissão Nacional venceu esmagadoramente (224 eleitos em 251) mas a outra lista, de Fonseca Ferreira, conseguiu muito mais votos do que tinha previsto (139, quando só tinha eleito 21 delegados, o que lhe deu 27 eleitos naquele órgão).

No final, os representantes da oposição comentaram de forma critica o congresso: "Um discurso virado para dentro, sem sintonia com a realidade" (José Pedro Aguiar Branco, do PSD); "Não teve uma palavra para as questões do desemprego" (Carlos Gonçalves, do PCP). "Para o futuro mostrou pouco" (Assunção Cristas, do CDS/PP); "O PS não apoia suficientemente as principais vítimas da crise social." (João Semedo, do BE).|


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