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Loureiro concluiu negócio falhado

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PAULA CORDEIRO  

Caso BPN. O ex-administrador da SLN participou no acordo que pôs fim ao negócio 'desastroso' com os porto- -riquenhos da BI. Isto depois de ter dito que só esteve no arranque da parceria

Ex-ministro actuou no acordo que negou conhecer

Dias Loureiro participou activamente no fim do negócio entre a porto-riquenha Biometrics Imagimeering (BI) e a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), liderando várias reuniões, entre Junho e Julho de 2002, e tendo concluído o acordo de saída do grupo português. Uma participação que contraria as suas declarações ao DN há duas semanas, quando referiu ter participado apenas no arranque do negócio, bem como o seu depoimento na comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN, em que referiu "não se lembrar" dos contratos que assinou.

De acordo com documentos a que o DN teve acesso, Dias Loureiro liderou uma reunião, em Junho daquele ano, em que foram discutidos vários aspectos relacionados com a parceria estabelecida em Novembro de 2001 e que não tinha tido qualquer desenvolvimento.

Confrontado com a sua participação no fim do negócio, Dias Loureiro afirmou ao DN que interveio "activamente" no seu cancelamento, em "várias reuniões", "para que a SLN não fosse a tribunal por incumprimento do investment agreement".

Segundo o ex-presidente da SLN Novas Tecnologias - sub-holding do grupo que geria a NovaTech, a empresa criada no âmbito do negócio com a BI, detida a 75% pela SLN e a 25% pela BI - a sua intervenção impediu que os prejuízos com o negócio fossem "mais gravosos em 35 milhões de euros". Este negócio com a BI resultou num prejuízo de 38 milhões de euros para a SLN, aos quais acresceriam mais 35 milhões. "O desenvolvimento dos produtos resultantes do acordo pressupunham o pagamento de cinco milhões de euros por semestre, durante seis semestres, por parte da SLN Novas Tecnologias, o que não se verificou", adiantou ao DN, Dias Loureiro.

"A minha intervenção foi no sentido de impedir que os responsáveis porto-riquenhos avançassem para tribunal, o que consegui", diz.

Com efeito, foi o ex-administrador da SLN que assinou, sozinho, o acordo que pôs fim a uma parceria que durou pouco menos de um ano. A 22 de Julho de 2002, a BI, representada por Hector Hoyos, e as empresas SLN, Nova Tech, Excellence Asset Fund Limited e Newtech Strategic Holding Limited (era nestas duas últimas que estavam estacionadas as acções envolvidas no negócio), representadas por Dias Loureiro, celebravam um acordo. Entre outros pontos, a Nova Tech tornava-se uma subsidiária da BI e o Excellence Assets Funds permanecia como accionista da BI durante dois anos, findos os quais venderia a esta os 25% da sua posição por um dólar.

O "desastre" de todo este negócio poderia ter sido evitado, se os seus responsáveis tivessem atendido ao parecer sobre a porto-riquenha BI, nos domínios tecnológico e estratégico. Neste trabalho, realizado por Vieira Jordão, refere-se que, entre vários aspectos técnicos, a experiência acumulada da BI é "muito reduzida", caracterizando-se como uma startup.

Para a SLN, esta empresa visava o desenvolvimento do seu projecto de caixas automáticas e terminais de pagamento, o NetPay.


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