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A americana e a francesa que seduziram Mega

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JOÃO CÉU E SILVA  

Lançamento. O ex-jornalista e actual presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém vai publicar esta semana um texto que considerou perdido durante muitos anos. 'Lisboa Song' são duas conversas duplas, uma entre as personagens da história e outra entre o escritor e a fotógrafa

Fotografia e texto para contar uma história de amor

A escritora Marguerite Duras e a fotógrafa Amy Yoes surgem como musas co-inspiradoras do novo livro de António Mega Ferreira. Da francesa veio um título que relembra o famoso India Song e da norte-americana, as fotografias a preto e branco que tirou em Portugal há algumas décadas.

O título Lisboa Song fica explicado, mas, no que respeita às fotografias, o escritor necessita de evocar os anos 90 para se entender a razão da sua existência neste novo livro de Mega Ferreira que a Sextante Editora lança esta semana: " É uma narrativa que nasceu exclusivamente ao ter visto as fotografias da Amy Yoes."

O autor recorda que as teve pela primeira vez na mão em 1990 ao vê- -las durante um encontro com o casal Amy Yoes, a fotógrafa, e Jorge Colombo, o designer, depois de as retirar de dentro de duas pequenas caixas que estavam em sua casa. "Eram estas fotografias que agora se reproduzem, mas havia muitas mais que estavam guardadas em duas caixinhas pequenas com provas fotográficas, exactamente deste formato como as que agora são publicadas", diz.

Na altura, conta, "vi as fotografias e achei-as extraordinárias. Comecei a olhar bem para elas e disse para mim mesmo: quero escrever sobre isto. Só não sabia bem o quê?"

Mega Ferreira revela que o conjunto de imagens não lhe saiu da cabeça e que quando foi passar uns dias fora, para uma casa alugada que tinha na localidade do Penedo, a força das imagens regressou ao seu pensamento e foi incapaz de resistir ao apelo: "Ia para lá muitas vezes quando tinha necessidade de escrever sobre assuntos mais importantes - tal como o primeiro memorando da Expo'98 - e foi assim que este texto ganhou forma". Segundo as suas memórias, Mega Ferreira remexeu nas fotografias até que chegou ao momento em que tinha uma história para iniciar o que pretendia escrever: "Tirava e punha as fotografias nas caixas, via-as e revia-as até que, a dada altura, arrumei-as e comecei a escrever."

Para Mega Ferreira, o que aconteceu foi que se impregnou do significado das imagens e, passo seguinte, tentou esquecê-las para ser capaz de escrever uma história que se articulasse com as que mais gostava: "As fotos não ilustram nada! São dois discursos paralelos e onde há uma contaminação porque me deixei impregnar pela delicadeza das fotografias que me pareceram, de alguma forma, retratar um certo espírito de Lisboa". Daí que, muito rapidamente, lhe tenha surgido um título em torno de Canção de Lisboa, que tinha a ver com a ideia de alguém (Amy Yoes) que vem do estrangeiro e se apaixona por uma pessoa de cá (Jorge Colombo).

Quanto a ter transformado a palavra Canção em Song, a razão é por ser uma homenagem directa ao livro India Song, de Marguerite Duras: "Há uma referência indirecta que tem a ver com o facto de a rapariga ser americana e o homem português, e existir como que uma canção cantada a dois. Repara-se que as duas vozes falam ao longo das páginas."


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