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Padre integrista diz que câmaras de gás serviram "para desinfectar"

por

LUMENA RAPOSO  

Polémica. Declarações de clérigo põe diálogo ecuménico em perigo

Floriano Abrahamowicz é padre e responsável pela comunidade integrista católica da Fraternidade S. Pio X para o nordeste da Itália. Em entrevista ao diário La Tribuna di Treviso, ontem publicada, Abrahamowicz coloca mais achas na fogueira do conflito entre o Vaticano e a comunidade judaica ao defender as declarações do bispo Williamson sobre o Holocausto.

"Sei que as câmaras de gás existiram, pelo menos para desinfectar, mas não saberia dizer se elas causaram mortos ou não porque não aprofundei a questão", afirmou o padre Floriano Abrahamowicz. Esta declaração é tanto mais surpreendente quanto ocorre dias depois do rebentar do escândalo provocado pelo bispo integrista Richard Williamson, cuja excomunhão foi levantada pelo Papa Bento XVI.

Williamson, na entrevista que deu a uma televisão sueca e que esta transmitiu na semana passada, foi peremptório ao expor as suas opiniões sobre o Holocausto. "Acredito que não houve câmaras de gás. Penso que 200 mil a 300 mil judeus morreram nos campos de concentração, mas nenhum deles nas câmaras de gás."

Floriano Abrahamowicz, na entrevista ao jornal italiano, procurou acalmar os ânimos. Mas foi infeliz. "Williamson foi, certamente, imprudente ao pronunciar-se sobre questões técnicas", disse o padre italiano que fez questão de assumir as suas origens judaicas ao mesmo tempo que garantia a impossibilidade absoluta de "um católico ser anti-semita".

Para o padre, toda a polémica criada pela entrevista do bispo não passa de uma manobra "contra o Vaticano". E adiantou: "A crítica que se pode fazer sobre a tragédia do Holocausto é que se lhe dá supremacia em relação a outros genocídios. Se Monsenhor Williamson tivesse negado na televisão o genocídio de 1,2 milhões de arménios pelos turcos, penso que os jornais não teriam falado das suas declarações da mesma maneira."

As afirmações do bispo provocaram uma forte reacção de repúdio por parte da comunidade judaica mundial - em especial de sobreviventes do Holocausto, como Elie Wiesel - , atitude que se exacerbou quando o Papa Bento XVI levantou a excomunhão que o seu antecessor, João Paulo II, lançara sobre o bispo. O Grande Rabinato de Israel comunica, então, o corte de relações com o Vaticano, anulando, portanto, todos as reuniões já agendadas. Ao mesmo tempo que padres e teólogos suíços denunciavam uma "regressão" na política do Vaticano.

Entretanto e pela voz do cardeal Bertone, Bento XVI afirmou-se já "perturbado" com as declarações proferidas pelo bispo negacionista e manifestou a sua "total e indiscutível solidariedade" com os judeus.|


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