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CARLOS RODRIGUES LIMA
Caso Freeport. O primeiro-ministro consta de uma lista de suspeitos enviada pela polícia inglesa. Porém, o único indício apresentado ao Ministério Público português é uma conversa em que Charles Smith, um intermediário, afirma ter feito pagamentos a José Sócrates. Hoje, a PGR vai clarificar o caso
Será unicamente com base numa conversa filmada entre Charles Smith, intermediário em Portugal do projecto Freeport, e um administrador inglês da empresa que a polícia inglesa terá incluído José Sócrates numa lista de outras sete pessoas a investigar pelas autoridades portuguesas, apurou o DN junto de fontes do processo. Este vídeo foi gravado pelo administrador da empresa em colaboração com a polícia britânica, quando foram levantadas suspeitas de ter havido pagamentos fraudulentos em Portugal. É neste vídeo que Charles Smith afirmará ter pago comissões a José Sócrates para a viabilização do Freeport.
O pedido de informações chegou a Portugal na semana passada e está hoje referido nos temas de capa das revistas Visão e Sábado. Na carta, a Serious Fraud Office, organismo que investiga o caso em Inglaterra, terá pedido que as autoridades investiguem se o primeiro-ministro teve alguma intervenção no âmbito da viabilização do Freeport de Alcochete.
Ao que o DN apurou, o eventual envolvimento de José Sócrates no caso Freeport tinha já sido abordado, no final do ano passado, numa reunião entre autoridades portuguesas e inglesas, em Haia, na sede do Eurojust. Neste encontro, os representantes portugueses, liderados pela directora do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal), Cândida Almeida, não embarcaram no entusiasmo britânico quanto ao caso.
É que, como já salientou a Procuradoria-Geral da República, não há "indícios juridicamente relevantes" que permitam a rotulagem como "suspeito" de José Sócrates. Pela lei portuguesa, o filme da conversa entre Charles Smith, sócio da empresa Smith&Pedro e um administrador inglês não pode ser considerado prova, uma vez que não houve uma prévia autorização judicial. Isto deverá ser reafirmado hoje pela PGR, em comunicado.
Segundo foi avançado ontem pela TVI e pelas revistas Sábado e Visão, os ingleses pretenderão que os movimentos financeiros de José Sócrates sejam investigados. Na lógica de "seguir o rasto do dinheiro", pretender-se-á apurar, segundo as investigações daquelas revistas, qual o destino final de uma verba a rondar os dois milhões de euros (400 mil contos) que saíram de Inglaterra e para os quais não há recibos. Uma das pistas da investigação portuguesa terá conduzido os investigadores a Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, e a duas sociedades off-shore.
De acordo com duas fontes conhecedoras da investigação portuguesa, haverá também testemunhos que ligarão José Sócrates a todo este processo. E há ainda e-mails apreendidos no processo que indiciarão que Sócrates acompanhou de perto a situação.
Tudo isto, no entanto, não chega para a investigação. Daí que ontem a procuradora Cândida Almeida se tenha recusado a falar em suspeitos. A magistrada usou a expressão "políticos associados". Ontem à noite, em entrevista à Rádio Renascença manteve: "Neste momento não há arguidos, indícios de comprometimento de qualquer elemento do poder, seja ele qual for, presente ou passado." Documentação está a ser analisada. "Os colegas ingleses têm um processo e nós temos outro . Os factos, no fundo, são os mesmos, mas os colegas ingleses têm a sua investigação e nós temos a nossa", disse a magistrada.
O gabinete do primeiro-ministro não reagiu às notícias. Os jornalistas são remetidos para declarações dos magistrados ou para os comunicados da PGR. A oposição, à excepção do Bloco de Esquerda que, timidamente, trouxe o assunto ao Parlamento mantém o silêncio.|
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