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Infidelidade torna esperma mais rápido

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ANA BELA FERREIRA  

Comportamento. Estudo sueco conclui que em espécies em que as fêmeas são infiéis os machos têm espermatozóides maiores que nas espécies monogâmicas. Este parece ser um caso em que o tamanho conta mesmo

Espermatozóides de peixes infiéis são competitivos

A infidelidade das fêmeas determina o carácter dos espermatozóides. Uma relação directa da qual já se suspeitava, mas que era difícil de provar até à recente descoberta levada a cabo por investigadores da Universidade Uppsala, na Suécia. As pesquisas feitas em peixes ciclídeos permitem demonstrar que a infidelidade das fêmeas influencia os espermatozóides, já que esta se traduz num aumento de competição que os torna maiores e mais rápidos. A investigação sueca mostra assim que a muito famosa ideia de que o tamanho conta é verdadeira.

"A competição entre espermatozóides para fertilizar os óvulos da fêmea é uma força evolucionária tremendamente poderosa, que influencia várias características dos esper- matozóides, como o tamanho e a velocidade", explica Niclas Kolm, um investigador da Universidade de Uppsala, ao Science Daily. O cientista estudou, em conjunto com outros especialistas de outras universidades, o sistema de acasalamento de 29 espécies de ciclídeos do lago Tanganhica, em África. "Pela primeira vez podemos mostrar a forte ligação que existe entre o grau de competição, o tamanho e a velocidade dos espermatozóides. Machos com fêmeas promíscuas desenvolvem espermatozóidesmais competitivos que os congéneres que apenas têm um com- panheiro.

"Descobrimos que nas espécies promíscuas os machos produzem maiores e mais rápidos espermatozóides que em espécies monogâmicas semelhantes", indica ao Science Daily Sigal Balshine, professor associado do Departamento de Psicologia, Neurociência e Comportamento da Universidade McMaster, no Canadá. "A pesquisa oferece uma das primeiras provas de que os espermatozóides evoluíram para se tornarem mais competitivos em resposta ao acasalamento das fêmeas com vários machos", aponta o professor que foi um dos autores do estudo.

A promiscuidade das fêmeas é um grande problema para os machos, uma vez que os pretendentes rivais vão competir na corrida da procriação, explica Sigal Balshine. Por isso, até aqui a ideia de que os espermatozóides tendiam a evoluir para se tornarem mais competitivos, já que os machos lutam para fertilizar óvulos, parecia óbvia. No entanto, só agora surgiram provas para sustentar esta teoria.

Os novos métodos de análise aplicados neste estudo permitiram ainda descobrir a ordem dos acontecimentos: os espermatozóides começam por ficar mais rápidos e depois maiores, assim que é implementada a promiscuidade feminina numa espécie. "Ninguém ainda tinha conseguido provar o que causa o quê. Agora podemos ver claramente que a promiscuidade feminina determina o carácter dos espermatozóides", conclui Niclas Kolm.

Este estudo é especialmente relevante devido à quantidade de espécies diferentes analisadas. Os peixes, apanhados em lagos na África, representam diferentes comportamentos de acasalamento, dos machos monogâmicos até às fêmeas que acasalam com muitos, muitos machos.


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