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Zon chumba Rangel e cria 5.º canal para a crise

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PAULA BRITO  

TV. A Zon Multimédia, única candidata, até ao momento, ao novo canal generalista no âmbito da Televisão Digital Terrestre (TDT) optou por um modelo mais realista, face à crise que afecta os media e o mercado publicitário. Isto, apesar de, até ao fecho desta edição, não ter tomado decisão final

Zon opta por projecto mais realista e barato

A proposta que a Zon Multimédia preparou para o 5.º canal generalista é um projecto fortemente influenciado pela crise e recessão actual, logo mais realista que o projecto apresentado por Emídio Rangel aos accionistas e rejeitado liminarmente pela administração presidida por Rodrigo Costa, por ser considerado desadequado.

Segundo apurou o DN, a proposta do fundador da SIC e seu antigo director-geral, além de implicar um investimento avultado na programação, envolvia perto de 400 pessoas. O DN tentou o contacto com Emídio Rangel, mas sem sucesso até fecho desta edição.

Contrariamente, do lado da Zon Multimédia, Paulo Camacho, porta- -voz, defende que a administração deste grupo pediu várias propostas de candidatura para o 5.º canal generalista, no âmbito da Televisão Terrestre (TDT) a um grupo de trabalho em que estavam vários colaboradores externos, nomeadamente Emídio Rangel, e internos - responsáveis por conteúdos, técnicos e desenvolvimento de negócio (business development).

É que "cedo se chegou à conclusão que era necessário avaliar várias propostas, vários caminhos", de onde "a administração escolheu um e pediu o seu aprofundamento", frisa a mesma fonte, revelando tratar-se de "um modelo atento à degradação da situação económica e de recessão", sobretudo nos media, onde a principal fonte de receitas, a publicidade, deverá sofrer quebras entre os 2 e os 15%.

O DN sabe ainda que venceu a proposta apresentada por Nuno Cintra Torres, consultor de estratégia da Zon desde 2003, que terá trabalhado em parceria com Paulo Camacho, embora este o tenha negado ao nosso jornal. "Eu não fiz parte da equipa", disse o jornalista que, desde os tempos da saída de Rangel da SIC para a RTP, está incompatibilizado com este.

A mesma fonte da Zon defende que este "agravamento da situação económica poderá acentuar a incerteza quanto ao switch off (desligamento ou passagem do sistema digital para o analógico), mesmo que imposto pela União Europeia para 2012.

"O desligamento analógico implica a aquisição de equipamento novo, que pode ser mais ou menos subsidiado, mas não acredito que no meio de uma recessão haja um governo que obrigue a população com menos recursos a fazer este esforço extra", defende a fonte da Zon Multimédia, referindo que acresce o facto de "não se saber quando este novo canal vai chegar a 100% da população ".

Alertando que a Zon ainda não havia tomado decisão final, ao início da tarde de ontem, a mesma fonte assegurou, no entanto, que "irá pronunciar-se em tempo útil, ou seja até às 16.00 de quinta-feira [hoje]". Como? Entregando (ou não) candidatura na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que a abrirá amanhã.

E de que modelo se trata? Alternativo, sem correr atrás de audiências e com custos controlados, mas obedecendo ao caderno de encargos estipulado pelo governo. Segundo apurou o DN, trata-se de um canal com maior parte dos serviços e conteúdos contratados em outsourcing, logo incapaz de concorrer com os canais em sinal aberto SIC, TVI e até mesmo RTP.

Longe vão os 49,8 milhões de euros investidos no arranque da SIC e TVI no início dos anos 90. "O custo inicial de um canal diminuiu drasticamente na mesma proporção do custo dos conteúdos, que são hoje muito elevados", defende Paulo Camacho. Ainda assim, o modelo proposto pela Zon, segundo apurou o DN, andará nos 25 milhões de euros.


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