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Amigos de 'Kuku' agridem jornalistas no funeral

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DANIEL LAM  

Amadora. Revolta contra polícia, que na noite de domingo matou jovem de 14 anos com um tiro na cabeça, foi ontem descarregada sobre repórteres à porta do cemitério de Benfica. A PSP preferiu não mobilizar elementos fardados para o local para evitar que se gerassem eventuais problemas

PSP refere não ter conhecimento de qualquer problema

O funeral de Edson Sanches, mais conhecido pela alcunha 'Kuku', o jovem de 14 anos que no domingo foi abatido a tiro por um agente da PSP, na Falagueira, Amadora, não foi pacífico. Revoltados com aquela morte inesperada, amigos ou familiares da vítima voltaram a sua agressividade contra os jornalistas que acompanhavam o funeral. Agrediram um operador de câmara da RTP e o repórter fotográfico do DN, que ainda foi perseguido por alguns deles.

Visível não esteve nenhum elemento fardado da PSP a acompanhar o funeral, que saiu da igreja da Brandoa, na Amadora, cerca das 15.30, com destino ao Cemitério de Benfica, já no concelho de Lisboa.

Um trajecto que foi percorrido a pé por largas dezenas de amigos, familiares e vizinhos de 'Kuku', entre os quais muitos jovens.

Em silêncio, seguiam, quase em procissão, por ruas esburacadas e enlameadas que ligam a igreja ao cemitério. Muitos jovens envergavam camisolas brancas com a fotografia da vítima impressa e uma frase em grandes letras: "Estamos juntos mano 'Kuku'. És o nosso orgulho." Outras camisolas ostentavam a promessa "Kuku. Não te esqueceremos."

Durante o percurso, gerou-se alguma confusão entre o tráfego automóvel, porque o cortejo fúnebre estava constantemente a atravessar a estrada de um lado ao outro e ninguém se preocupava com os carros em trânsito, que eram obrigados a parar para não atropelar as pessoas.

Tudo parecia decorrer com a máxima tranquilidade, tal como tinha sucedido no interior da igreja.

Porém, pelas 14.10, pouco depois do carro funerário entrar no cemitério de Benfica, um jovem começou a implicar com os jornalistas que ali se encontravam junto aos portões.

Pessoas que testemunharam os acontecimentos, contaram ao DN que o operador de câmara da RTP estava a ser insultado por um jovem, que lhe ia dando empurrões. Depois agarrou violentamente na câmara de filmar e partiu-a. Outro ainda agrediu o repórter na cabeça. Quanto aos estragos, o cameraman Jaime Guilherme responde que "uma câmara nova custa 37 mil euros".

Quase em simultâneo, outros jovens ameaçaram o repórter fotográfico do DN, mandando-o sair do local. Agarraram-no, deram-lhe empurrões, um pontapé nas costas e um murro no pescoço. Conseguiu libertar-se, correu, foi perseguido, mas escapou.

Para evitar problemas, o segurança do cemitério nem impediu a entrada de alguns jovens de moto, embora seja proibido circular ali em veículos motorizados.

No local, as pessoas comentavam: "Eles estão revoltados com os polícias, mas, como não há aqui nenhum, descarregaram nos jornalistas".

O DN contactou o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP para saber se teve conhecimento da situação e se enviou meios para o local. Fonte oficial referiu que "não há informação sobre qualquer problema". Explicou que "não foram mobilizados meios policiais fardados para evitar que se gerassem problemas".


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