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Direita parte em dificuldade para ciclo eleitoral de 2009

por

PAULA SÁ e SUSETE FRANCISCO  

Partidos. Uma liderança pouco consolidada no PSD, um partido unipessoal no caso do CDS - analistas antevêem grandes dificuldades à direita no ciclo eleitoral de 2009. Se os resultados não forem os esperados pelos líderes, poderá estar aberto o espaço para uma reorganização neste espectro político

Se PSD e CDS não obtiverem no ciclo eleitoral deste ano bons resultados eleitorais, ficará aberto um espaço para a reorganização da direita. A opinião é partilhada por figuras como o politólogo José Adelino Maltês e Maria José Nogueira Pinto. Que convergem também noutra ideia: a direita não parte em boa situação para as três eleições que se avizinham.

Para José Adelino Maltês a direita está "actualmente dependente de duas personalizações de poder". "Há duas coutadas pessoais que condicionam os partidos: de Paulo Portas, que tem todo o partido com ele; e de Pedro Santana Lopes, que condiciona todo o partido". " O que temos aqui é um problema de feudalização", argumenta o politólogo. Para quem há outro nome que deve ser considerado quando se olha para o caminho futuro deste espectro político - que também está dependente "daquele que é o líder da oposição de direita em Portugal: Cavaco Silva". Uma circunstância que acaba por não ajudar Manuela Ferreira Leite, sustenta, deixando pouco "espaço de autonomia" à presidente social-democrata - "Veja-se o silêncio que teve que ter perante os últimos discursos do Presidente da República."

A antiga dirigente do CDS/PP, Maria José Nogueira Pinto, sublinha que é muito difícil convencer o eleitorado quando as lideranças dos partidos não estão consolidadas aos olhos da opinião pública. O que diz ser o caso do PSD e do seu antigo partido, que abandonou em 2007.

Maria José Nogueira Pinto afirma que "tudo é mais complicado" no PSD, visto que é um partido de poder. "Manuela Ferreira Leite debate-se com muitos problemas internos e ainda não afinou o tom". Considera até curioso que, perante a maioria absoluta de José Sócrates, conquistada em 2005 e após o desaire de Pedro Santana Lopes nessas legislativas, os sociais-democratas não tenham tido "o instinto da sobrevivência", capaz de os unir em torno de um líder. "Apesar de tudo, Manuela Ferreira Leite tem um capital de crédito que é muito importante e que está intacto. E isso não acontece no CDS". Vaticina ainda uma fraca performance eleitoral dos dois partidos em 2009que, na sua opinião, levará a uma reorganização da direita.

O analista político Joaquim Aguiar insiste na ideia de que o maior problema com que a direita se confronta, especialmente o PSD, é o facto de o PS ter ocupado o espaço liberal-democrático. O que retira a possibilidade ao partido liderado por Manuela Ferreira Leite de se distinguir perante o eleitorado. Considera inexistente o espaço cristão-democrata, o do CDS de Portas, e diz que de um "partido de alianças" evoluiu para um "partido de serviços". O CDS, sublinha Joaquim Aguiar, "é um partido a recibo verde, será contratado por quem precisar dos seus serviços [PS ou PSD]".

O antigo assessor político de Cavaco Silva e Mário Soares, prevê, no entanto, que o "factor vital" para o PS se manter no poder em maioria absoluta se perca antes das legislativas de 2009: a falta de rendimento disponível para distribuir pelos portugueses. Os efeitos nefastos da crise económica, afirma, mudarão todo o cenário político nacional.

Manuel Meirinho, docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, sublinha que "a direita tem o desafio em 2009 de estancar ou não a redução do seu espaço de intervenção", mas parte já com algumas dificuldades: o CDS tem a "questão estruturante do peso de Paulo Portas no partido, estar um pouco reduzido à pessoa"; o PSD "tem o problema de fundo enorme que é a questão da estabilização da liderança". Com uma agravante para os sociais-democratas: "Vem aí um ciclo eleitoral terrível para os partidos, mas sobretudo para os partidos de poder. Porque é a estes que afecta mais o efeito dos resultados". |


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