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Gripe obriga a cancelar operações

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CATARINA GUERREIRO, PEDRO VILELA MARQUES e ANA BELA FERREIRA  

Caos. As urgências registaram nos últimos dias a maior procura do ano, o dobro daquilo que seria normal nesta altura. O caso mais grave foi o do Amadora-Sintra, com esperas de 25 horas. O Ministério da Saúde decidiu implementar novas medidas para evitar a ruptura total

Administração Regional alarga horários de centros

A ministra da Saúde vai, nos próximos dias, dar orientações a todos os hospitais do País para que cancelem as cirurgias programadas não urgentes, no caso de ser necessário libertar camas para a avalanche de doentes que prometem encher as unidades de saúde, adiantou ao DN fonte do gabinete de Ana Jorge.

Aliás, o coordenador da Unidade de Emergência de Saúde Pública da Direcção-Geral de Saúde (DGS), informou o DN que a epidemia de gripe vai atingir o pico mais alto nas próximas semanas, o que, a manterem-se os actuais níveis de procura, pode gerar situações de "ruptura" nos serviços.

Nos últimos dias, já vários hospitais tiveram um aumento de doentes, tendo na sexta-feira registado 37 mil episódios de pedidos de urgências, o máximo do ano - 20 mil nos centros de saúde e 17 nos hospitais. Mas o pior cenário viveu-se na madrugada de ontem no Hospital Amadora-Sintra, onde o tempo de espera médio chegou a ultrapassar as 12 horas.

De acordo com fonte do Ministério da Saúde, há já duas semanas que a DGS enviou para os vários hospitais um alerta sobre a epidemia de gripe, onde pedia que fossem tomadas medidas no sentido de ter resposta preparada.

Ontem, a tutela esteve a avaliar a situação para ver se algum hospital, nomeadamente o Amadora-Sintra, não tinha avançado com medidas. Mas o director clínico deste Hospital Luís Cuña, garante que não houve falhas no atendimento apenas "uma afluência muito elevada à urgência". O que, segundo o médico, colocou o serviço de urgência deste hospital numa situação de "ruptura" total, tendo atendido numa só noite 574 doentes, com oito médicos, quando o normal são 300 utentes. "Chegamos a ter 220 doentes em lista de espera", frisa Luís Cuña. Todos os responsáveis contactados pelo DN concordaram que esta situação não se deveu à falta de médicos, mas à conjugação de vários factores que colocaram em causa o sistema (ver caixa).

Para evitar que a situação se repita, a ministra decidiu ordenar à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que obrigasse os centros de saúde a prolongar os horários e reforçar equipas a partir de hoje, devido à epidemia de gripe. No caso dos concelhos de Sintra e Amadora, a Administração Regional de Saúde ordenou a abertura de seis centros de saúde até às 22.00. A ARSLVT aconselha os utentes a recorrer preferencialmente aos centros de saúde nos casos de apresentarem os típicos sinais de gripe.

O MS está a prever que o dia de amanhã seja já complicado, por ser segunda-feira - por norma o dia de maior afluência às urgências.

"A epidemia vai piorar, portanto as pessoas têm de reconsiderar a ida às urgências e promover cuidados caseiros", diz Mário Carreira, que apela aos doentes para recorrerem aos centros de saúde ou pedirem aconselhamento médico através da linha Saúde 24.


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