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Mariana Martins esteve 25 horas à espera que o seu marido fosse atendido. Chegou às urgências do Hospital Amadora-Sintra às 10.00 de sexta-feira e só às 11.00 de ontem foi visto pelo médico. "O meu marido estava com falta de ar, só há duas horas [às 11.00] é que foi atendido e vai ficar internado", conta ao DN Mariana Martins, depois de uma noite passada no banco da sala de espera do hospital. A residente no Cacém adianta com ar cansado que apenas puseram oxigénio ao marido durante a noite e que não lhe deram explicações para a demora.
Apesar da longa espera, o caso do marido de Mariana não é único nas urgências do Amadora-Sintra. A maioria dos doentes que enchiam ontem a sala do hospital esperava em média há 12 horas para ser vista pelo médico. A causa era quase sempre a mesma: a gripe.
O tempo de espera é tão longo que os doentes já se conhecem e não hesitam em apontar casos mais graves que os seus. Os dedos apontam para Roque Francisco que chegou ao Amadora-Sintra às 13.10 de sexta-feira. Só às 11.12 de ontem viu a mãe ser atendida, ou seja, 22 horas depois. "Viemos cá porque sabemos que ela não tem uma simples gripe. É algo mais grave e mesmo assim estivemos aqui este tempo todo", refere indignado. A justificação para o atraso: "Dizem que são dias especiais", acrescenta Roque Francisco.
À porta da sala de espera, os doentes também se concentram para criticar a demora no atendimento. Desde as 22.00 de sexta- -feira que Pereira da Silva espera para ser atendido, o que às 12.30 de ontem ainda não tinha acontecido. "Já cá vim uma vez e foi a mesma coisa", lembra o residente de Mem Martins, lamentando: "é sempre a mesma coisa".
Há ainda quem sem querer ser identificado lance a acusação: "A minha mãe esteve oito horas à espera com a tensão alta e nem um comprimido lhe deram." "Isto é pior que um canil", gritou.
Em Lisboa, a situação está mais calma. No Hospital de São José a sala de espera estava ontem de manhã quase vazia e o tempo de espera rondava as duas horas. Já, em Santa Maria a afluência era maior, mas a demora também não era muito longa.
No Hospital São Francisco Xavier a sala de espera das urgências estava lotada, mas só uma situação agitou os ânimos. Uma senhora reclamava que o marido esperava há quatro horas para ser atendido, o que aconteceu logo após se ter queixado.
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