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LICÍNIO LIMA
Assaltos. Uma onda de pequena criminalidade organizada, composta sobretudo por grupos de mulheres e criança romenas, está a atingir as zonas metropolitanas de Lisboa e Porto. Só na noite de Natal registaram-se mais de trinta assaltos a residências sem arrombamento de portas
Residências predefinidas e furtos selectivos para não deixar rasto
Grupos organizados dedicados à pequena criminalidade, de que fazem parte mulheres e crianças romenas, estão a atacar em força em Lisboa e Porto, onde nas últimas 24 horas assaltaram dezenas de residências, na maior parte dos casos sem arrombamento. Segundo fontes policiais contactadas pelo DN, os alvos a atingir são previamente estudados pelos líderes e só é permitido furtar o que é facilmente negociável sem rasto, nomeadamente ouro e dinheiro.
Maria, nome fictício, vive na zona do Restelo, em Lisboa, e, na quarta-feira, depois de regressar da noite de consoada passada em casa da filha, entrou em casa e viu que algumas peças tinham sido mexidas. Parecia que nada faltava. Mas depois verificou que haviam desaparecido as jóias e o pouco dinheiro que tinha em casa. Nenhum vestígio havia de arrombamento. Maria tinha deixado a porta no trinco.
Este é apenas um exemplo do que se passou na noite de Natal, sobretudo nas zonas da Grande Lisboa e Porto. Nos cerca de 20 assaltos registados pelo comando da capital, nenhum incluiu o arrombamento. "Nota-se algum desleixo nas pessoas", disse ao DN o comissário Nunes, oficial de dia ontem no Comando Metropolitano de Lisboa.
"Basta um pequeno gesto de rodar a chave da fechadura e evitam-se os assaltos", acrescentou, explicando, em seguida, que as portas fechadas apenas com o trinco são facilmente abertas com um cartão multibanco, um bilhete de identidade ou uma radiografia - o método mais usado na noite de Natal.
Ao que o DN apurou, a maior parte dos assaltos foi perpetrada por mulheres e crianças romenas que, segundo fonte policial, operam de forma organizada. Os líderes "fazem a ronda", estudam os movimentos das pessoas e sinalizam as residências. Os operacionais avançam depois, furtando quase só peças de ourivesaria e dinheiro, ou seja materiais que o "mercado" facilmente absorve.
"Raramente são apanhados em flagrante delito e quando o são identificam-se com nomes falsos. Por isso nunca vão a julgamento", disse fonte policial ao DN. Fonte policial confirmou ao DN a preocupação por esta onda de pequena criminalidade organizada. "A PSP está preocupada e está a par do problema", disse ao DN, apelando para que as portas sejam sempre fechadas à chave, "mesmo com as pessoas em casa", frisou.
O mesmo método no Porto
Este tipo de criminalidade estende-se ao Porto, em moldes muito semelhantes. No mês passado, a PSP desmantelou o que acredita ser uma rede de estrangeiros, em que se incluíam menores, que se dedicava a assaltar residências. Romenos, croatas e sérvios estavam entre o grupo de nove detidos.
As zonas mais ricas - como a Foz e o Pinheiro Manso - são os alvos mais frequentes, mas também áreas de Gaia, Maia e Matosinhos sofrem com a vaga de assaltos, com os furtos a serem planeados ao pormenor. Jóias e ouro são os artigos preferidos já que são fáceis de transportar.
Ainda esta semana, mais assaltos ocorreram na Foz, com prejuízos de dezenas de milhares de euros para as vítimas. A PSP sabe que estes grupos actuam em qualquer altura do dia e usam mulheres e crianças. Quando são detidos, complicam a acção policial porque recusam cooperar e escondem as nacionalidades ou forjam identidades. com D.M.
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