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PEDRO SOUSA TAVARES
Educação. Ministério marcou reuniões separadas com os sindicatos, para calendarizar revisão do estatuto, mas a Fenprof convenceu a Plataforma a exigir um encontro conjunto, em Janeiro. A plataforma entregou ontem um abaixo-assinado com quase 70 mil assinaturas pela suspensão da avaliação
Primeira reunião com a tutela vai ser em bloco
O líderda Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, garantiu ontem ao DN que a "Plataforma" sindical de professores "está unida" e "continuará" a trabalhar em conjunto depois da greve nacional de 19 de Janeiro, rejeitando a existência de divergências entre as 11 estruturas que integram esta aliança sindical.
Os sindicatos - que ontem entregaram no Ministério da Educação um abaixo-assinado com quase 70 mil assinaturas, pedindo a suspensão do modelo de avaliação aprovado pelo Governo - exigiram também que, ao contrário do que estava previsto, a primeira reunião sobre as negociações do Estatuto da Carreira Docente (ECD), em que serão definidos o calendário e a agenda negocial, decorra com toda a Plataforma e apenas no dia 5 de Janeiro.
O Ministério tinha convocado os sindicatos para reuniões separadas no dia de hoje.E, apesar das reservas da Fenprof, tanto a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) como Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei/Sindep) tinham confirmado ao DN que estariam presentes.
Mas, horas antes da entrega do abaixo-assinado, num encontro promovido pela Fenprof, tudo se alterou: "O Ministério da Educação tinha dito que a reunião não podia ser conjunta porque alguns sindicatos já tinham manifestado a intenção de ser recebidos separadamente, mas colocámos essa questão a todos e ninguém o tinha pedido", explicou Nogueira.
Assim, confirmou pouco depois Jorge Pedreira, os encontros de hoje mantêm-se, e com presença da Fenprof, mas apenas para que o Ministério "apresente aos sindicatos duas propostas que não têm a ver com o Estatuto da Carreira", cujo teor não quis precisar.
"Temos outras ideias"
A mudança poucas consequências terá em termos práticos. A partir da segunda reunião, como é hábito nestas matérias, as 11 estruturas vão mesmo discutir com o Ministério em separado, mais concretamente dividias em quatro mesas negociais. Mas para a Plataforma e , em especial a Fenprof, era importante começar o ano com umaexpressão de união. Até para que essa se reflicta nos professores que estão nas escolas, nos quais, como repetiu ontem Mário Nogueira, se concentram as "maiores" possibilidades de ainda se suspender o modelo de avaliação este ano lectivo.
Porém, mesmo que oficialmente o bloco se mantenha intacto, é também notório que a partir de agora, nas reuniões com o Ministério, as estruturas vão definir metas diferentes.
Em declarações ao DN, João Dias da Silva, líder da FNE, confirmou que "não foi pedida uma reunião separada" para calendarizar as negociações e que "nas questões que motivaram a sua aproximação", os sindicatos continuam juntos. Mas também disse que a FNE"tem outras ideias", diferentes da Fenprof, relativamente "à progressão e organização das carreiras[ver caixa]", não excluindo a possibilidade de, ao longo dos próximos meses, virem a ser alcançados entendimentos com o Ministério da Educação que nem todos subscrevam.
Quanto ao abaixo-assinado, Mário Nogueira considerou-o demonstrativo da "disposição dos professores". Já Jorge Pedreira questionou a validade de um documento em que "só era pedido um nome e uma escola", apesar de ter ressalvado não pretender "menosprezar" a contestação.
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