Última hora Zinedine Zidane e Enzo Francescoli em 'reality...Frederico Gil é a esperança para Taça DavisCR9 "manteve a palavra" e recusou 'Barça'Os mergulhos de um português na AntárcticaTiger Woods tem seis meses para salvar casamentoEspanhol Castro Santos sucede a José MotaGrécia: Greve com adesão de milhares de funcionários...Sporting diz adeus a 6,4 milhõesEuronext Lisboa: Bolsa abre a subir 1,21%...Naufrágio/Costa da Caparica: Buscas de pescador...
por
Mário Soares
1. A crise aprofunda-se e generaliza-se. Os Estados desviam milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas. Será necessário. Mas o povo pergunta: e as roubalheiras, ficam impunes? E o sistema que as permitiu - os paraísos fiscais -, os chorudos vencimentos (multimilionários) de gestores incompetentes e pouco sérios, ficam na mesma? E os auditores que fecharam os olhos - ou não os abriram suficientemente - e os dirigentes políticos que se acomodaram ao sistema, não agiram e nem sequer alertaram, continuam nos mesmos lugares cimeiros, limitando-se a pedir, agora, mais intervenções do Estado, com a mesma desfaçatez com que antes reclamavam "menos Estado" e mais e mais privatizações?
Pedem-se e pediram-se sacrifícios para cumprir as metas do défice, impostas por Bruxelas. Mas, ao mesmo tempo, os multimilionários engordaram - os mesmos que agora emagreceram na roleta russa das economias de casino - e os responsáveis políticos (os mesmos, por quase toda a Europa) não pensam em mudar o paradigma ou não anunciam essa intenção e não explicam sequer aos eleitores comuns, os eternos sacrificados, como vão gastar o dinheiro que utilizam para salvar os bancos e as grandes empresas da falência, aparentemente deixando tudo na mesma? E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades...
2.Nas ruas e universidades da Grécia, há vários dias, os estudantes manifestam- -se violentamente, atiram pedras contra a polícia, incendeiam automóveis, provocam distúrbios. Indignação ou houve o pretexto de a polícia ter matado um estudante? Não são, contudo, jovens marginais, filhos de imigrantes, habitantes de bairros problemáticos, como sucedeu, há meses, em França. São filhos da burguesia que está a ser muito afectada com a crise.
A França foi a primeira a inquietar-se. Com razão. Quando há uma crise latente, que fere em consciência as classes médias, qualquer pretexto serve para gerar a revolta. Maio de 68 foi assim. De Gaulle, que era o De Gaulle, desapareceu e esteve dois dias na Alemanha a ouvir as forças militares de ocupação ali estacionadas.
A Espanha também tem motivos de preocupação: a subida em flecha do desemprego, o mal-estar social latente, que sucedeu a um período de grande crescimento, a bolha do imobiliário, que rebentou como era previsível, as tensões crescentes entre algumas autonomias e o centralismo de Madrid.
Portugal também não deve ficar indiferente. Com as desigualdades sociais sempre a crescer, o aumento do desemprego que previsivelmente vai subir imenso, em 2009, a impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio na Justiça, e em especial, do Ministério Público e das polícias, estão a criar um clima de desconfiança - e de revolta - que não augura nada de bom. Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir. Acrescenta-se o radicalismo das oposições, à esquerda e à direita, que apostam na política do "quanto pior melhor". Perigosíssima, quando não se apresentam alternativas credíveis...
França, Espanha, Portugal e outros Estados membros não são a Grécia, é verdade. Cada país é um caso. Mas a União Europeia não está a ajudar nada. O plano aprovado na última cimeira não passa de um paliativo: injectar dinheiro nos bancos e nas grandes empresas, para que tudo - de essencial - possa ficar na mesma. Sem ter em conta o grande descontentamento e a grande desconfiança que os provocam sem esclarecer satisfatoriamente as opiniões públicas, sem transparência, sem uma visão estratégica, coerente e concertada dos 27 Estados quanto ao que é necessário fazer, para assegurar a mudança.
Nesse aspecto, a nova América de Obama está bem melhor do que a União Europeia. Além do mais, porque na América o pessoal político está a mudar. E, na Europa, continuam as mesmas caras, insusceptíveis de entusiasmar seja quem for...
3.Na Cimeira de Bruxelas do último fim-de-semana deu-se, no entanto, um passo útil em matéria ecológica. A União comprometeu-se, conjuntamente, a reduzir as emissões de gás de efeito de estufa em 20% até 2020, em relação ao nível de 1990. A aumentar o nível das energias renováveis até 20% do consumo e, assim, a realizar 20% das economias de energia. Foi o progresso anunciado, com a certeza - diga-se - de que seria acompanhado pela nova América de Obama, o que ajudou muito. Al Gore, que ganhou o Nobel com o livro e o filme Uma Verdade Inconveniente, corroborou taxativamente este sentimento, no recente discurso que fez na Conferência da ONU em Poznan, Polónia.
4.Oceano, o nosso futuro. No encontro que acaba de decorrer em Lisboa, no Oceanário, para celebrar o 10.º aniversário do Relatório "O Oceano, Nosso Futuro", que a Comissão Mundial Independente para os Oceanos apresentou na Expo, em Lisboa, no Ano Internacional do Oceano, 1998, e que foi ulteriormente submetido à Assembleia Geral da ONU, as propostas então formuladas foram reavaliadas por uma comissão de personalidades de reputação mundial. Pôs-se em evidência o que se conseguiu progredir, o que ficou em "águas paradas", identificando-se o que falta realizar prioritariamente.
Foi uma reunião muito oportuna de reflexão sobre o relatório, e cujos principais organizadores foram Mário Ruivo, conhecido especialista português em assuntos do oceano, e o especialista francês Jean-Pierre Levy, conjuntamente com o chileno Patrício Bernal. O relatório está traduzido em 13 línguas e é hoje considerado um texto de referência. Para além de personalidades e entidades portuguesas participaram, entre outros, Federico Mayor Zaragoza, antigo director-geral da UNESCO, José Luís Jesus, presidente do Tribunal Internacional do Direito do Mar (Cabo Verde), Biliana Cicin-Sain (USA), Lorraine Ridgeway (Canadá), Luís Filipe Macedo Soares (Brasil), Haiqing Li (China), Chua Thien-Eng (Malásia), Sidney Holt (Reino Unido), Peter Bridgewater (Austrália), Alexander Yankov (Bulgária), Salvino Busuttil (Malta), Peter Haas (USA), Makram Gerges (Egipto) Cherif Sammari (Tunísia), Awni Behnan (IOI). O antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan, na impossibilidade de estar presente, mandou uma mensagem que foi lida e muito aplaudida. O mesmo fez o primeiro-ministro português, José Sócrates, que, estando a participar na Cimeira de Bruxelas, nos enviou as suas palavras e se fez representar pelo ministro da Defesa, Severiano Teixeira. Esteve presente ainda e proferiu um discurso, de grande actualidade e interesse, o alto-comissário para os Assuntos do Mar de França, Jean-François Tallec, organização directamente sob a égide do primeiro-ministro de França, país que neste momento assegura a presidência da União Europeia.
Em suma, tratou-se de uma reunião que visa actualizar e promover uma estratégia global para uma governação responsável do mar, de vital importância e actualidade, que muito beneficiaria se se conseguisse finalmente mobilizar apoios e lançar em Lisboa um Observatório Independente Mundial para os Assuntos do Oceano. Oxalá as promessas se cumpram e se possa começar a trabalhar o mais cedo possível, passando das palavras à acção. O momento é propício...|
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
Portugueses pagam ao fisco 80 cêntimos por llitro
Cimpor: Camargo Corrêa compra totalidade da participação da Teixeira Duarte
Báltico: Cimeira inicia-se em Helsínquia
Apoio a glória do Sporting
Zinedine Zidane e Enzo Francescoli em 'reality show'
Frederico Gil é a esperança para Taça Davis
À beira do precipício, mas com esplanadas sempre cheias
Família descobre morte de filho através do Facebook
PGR: Lei do segredo de justiça "não é má, é péssima"
"Não há indício de plano do PM para controlar a imprensa"
Entram no banco, tiram o véu e dizem: "mãos ao ar"
Alan Kaufman reinventa o guarda-chuva
Sócrates nega indicações à PT para compra de televisão
Paulo Rangel considera "estranhas" críticas de Assis
Rangel denuncia plano do Governo para controlar Media
brasil
diana piedade
bpp
emprego
haiti
acidente
idolos
salvador caetano
mario crespo
crel
Quem tem mais culpas na má época do Sporting?
Curso de Fotografia e Vídeo Digital
Impressora Multifunções Epson Stylus SX415
Todas as Iniciativas DN
Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos