Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


sociedade

Cedências na Educação só na véspera de eleições

por

SUSETE FRANCISCO e PEDRO SOUSA TAVARES

VASCO NEVES  

Anúncio. A ministra da Educação foi ontem ao Parlamento admitir que o modelo de avaliação dos professores pode vir a ser alterado e até substituído. Nunca neste ano lectivo, mas para o próximo. Um calendário que permite a Maria de Lurdes Rodrigues avançar para negociações com os docentes pouco antes das legislativas de 2009

O modelo de avaliação dos professores pode ser alterado ou mesmo substituído no próximo ano lectivo - mas no actual é para aplicar. Foi isto que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foi ontem dizer ao Parlamento, perante uma oposição que, de forma unânime, exige a suspensão do processo. Nem pensar, foi a reacção da ministra - o modelo tem de ser aplicado para que possa ser avaliado. Uma avaliação que abrirá espaço à negociação no final do ano lectivo. Ou seja, pouco antes das legislativas.

"Uma vez iniciada neste ano lectivo uma avaliação séria dos professores estarei totalmente aberta a que se discutam todas as alterações, todas as melhorias a este modelo, ou mesmo à sua substituição", afirmou a ministra da Educação, antes de acrescentar - "Mas nos actos lectivos seguintes, não neste."

A disponibilidade de Maria de Lurdes Rodrigues para aceitar alterações fica assim remetida para os meses de Junho/Julho do próximo ano - ou seja, nas vésperas das eleições legislativas, que deverão ser marcadas para Setembro.

A posição de Maria de Lurdes Rodrigues foi depois reiterada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, mas com uma mensagem dirigida aos sindicatos do sector: "Da aplicação dos modelos de avaliação decorrem conclusões que um acompanhamento adequado permite identificar. É isso que está a ser feito", sublinhou, antes de advertir que o Governo "não negoceia sob chantagem ou ultimato".

Declarações que não impediram a responsável da Educação de avaliar o modelo, na versão anterior às alterações introduzidas pelo Executivo nas últimas semanas: "Era mais burocrático do que devia, provocando uma sobrecarga de trabalho burocrático aos professores, avaliadores e avaliados".

Recusando as acusações de "intransigência", a titular da Educação insistiu, no entanto, que a suspensão do processo de avaliação seja uma hipótese admissível. "Não posso aceitar. A consequência seria o regresso ao passado e isso não admitirei", sublinhou, acrescentando que "só o conservadorismo, à esquerda e à direita, ficaria contente" com esta situação.

Sindicatos à espera

O anúncio da ministra criou alguma expectativa entre os sindicatos, que ainda assim vão avisando que querem mais garantias antes de se sentarem à mesa das negociações. "Registámos essa informação, embora ainda falte saber muita coisa em relação à forma como esse 'novo modelo' poderá ser discutido e com que disponibilidade do Ministério da Educação para ouvir propostas diferentes da sua", disse ao DN João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE).

Questionado sobre se era este o "sinal" que a Plataforma esperava receber do Governo depois da greve de terça-feira, considerou que este "ainda não chega" para se tirarem conclusões, mas pode ser um "ponto de partida". Para este sindicalista, "está mais do que provado" que o actual modelo de avaliação "não funciona" e não pode ser aplicado este ano lectivo. Mas Dias da Silva até admite que o ministério se sente à mesa com os sindicatos com a intenção de o manter até Junho, "desde que não o faça de forma inflexível, e aceite discutir outras alternativas".

Já Carlos Chagas, da Federação Nacional do Ensino e Investigação (Sindep/Fenei) considerou as declarações da ministra "um paradoxo político", hesitando em ler nelas um sinal de abertura: "Não se pode alterar três vezes um modelo, depois admitir que ele pode ser totalmente substituído, e insistir na sua manutenção este ano só por uma questão de teimosia", criticou.

Mário Nogueira, líder da Fenprof (Federação Nacional dos Professores) e da "plataforma", desafiou o ministério a convocar rapidamente os sindicatos para uma reunião onde "tudo esteja em aberto", relativamente ao processo de avaliação. Incluindo a sua suspensão imediata.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
EstatísticasEstatísticasPartilharPartilhar



COMENTÁRIOS
ÁREA RESERVADA

Login


Nome de Utilizador: 

 

Password: 

  Entrar

0 Comentários



Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Se tivesse possibilidades económicas compraria uma viagem ao espaço?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Cartaz

PLANO GERAL

PLANO GERAL

Portugal

Facebook

Facebook

Televisão

Guia TV

Guia TV

Portugal

Twitter

Twitter




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos