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ESTÍMULOS

por

João Miranda

Investigador em biotecnologia - jmirandadn@gmail.com  

Os governos das principais economias mundiais estão a reagir à crise económica através dos mais diversos planos de salvação. Já tivemos o plano Paulson, o plano europeu para a banca, o plano chinês e agora o plano Barroso. A estes planos de dimensão continental somam-se os planos nacionais (o Governo português também tem o seu) e os planos sectoriais. Aos planos para a banca seguiram-se os planos para o sector automóvel e para as pequenas e médias empresas. O Governo americano até tem um plano para estimular o crédito ao consumo. Todos estes planos conjugam emissão monetária, despesa pública e isenções fiscais. Os custos são inevitáveis: inflação, défices e dívida pública.

Os planos de salvação são uma excelente oportunidade para os lóbis das indústrias decadentes e para os políticos em ano eleitoral. Os políticos fazem questão de quantificar o lado positivo das medidas. Falam em centenas de milhões de euros para promover o emprego e os carros ecológicos. Mas não especificam quanto custará cada emprego ou quando chegarão ao mercado os benefícios do investimento em carros ecológicos. Também não explicam que a dívida contraída terá de ser paga pelos contribuintes. Os lóbis das indústrias em dificuldades, como o lóbi da indústria automóvel, aproveitam a crise para viver durante mais algum tempo às custas do contribuinte. Dessa forma não precisam de reestruturar as suas empresas.

Em Portugal, Teixeira dos Santos diz que o Governo vai estimular a economia através do investimento público. Ou seja, vai desperdiçar dinheiro em projectos de duvidosa rentabilidade que já eram contestados antes da crise financeira. As debilidades da economia portuguesa são conhecidas. O peso do Estado é elevado, os serviços públicos de saúde e educação são ineficientes, a justiça não funciona e o sector privado está sobrecarregado de impostos e de burocracia. Perante isto, o Governo recorre à solução fácil de atirar dinheiro para a economia, agravando o défice e o endividamento público.


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