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por
Manuel Queiroz
Jornalista
É bem possível que a crise financeira traga de novo a política e o combate ideológico para primeiro plano. Os jornais ingleses decretaram ontem a morte do New Labour, as ideias que levaram ao poder Tony Blair e agora Gordon Brown, em que os trabalhistas se baseavam em gastos e políticas fiscais responsáveis, sem aumentarem os impostos para os mais ricos nem a dívida do Estado, como era costume no Old Labour. O Daily Mail, jornal de direita, di-lo com todas as letras na capa, mas o The Times, para além da "Tinta vermelha" que está no principal título, di-lo também no edi-torial. Dantes era tudo pela justiça social, enquanto este New Labour, há dez anos no poder, olhava também para as aspirações das pessoas e assim Londres tornou-se mesmo a mais importante praça financeira do mundo.
O ministro das Finanças, Alistair Darling, apresentou o orçamento e anunciou um plano para pedir emprestado 300 mil milhões de libras nos próximos cinco anos, o que elevará a dívida para mais de um trilião, a maior de sempre. Desde 1994, o Partido Trabalhista prometia que o Estado só pedia emprestado para investir. Agora corta o IVA (de 17,5% para 15% já a partir de segunda-feira) e pede aos ricos mais impostos, deitando por terra uma famosa frase de Peter Mandelson, um dos grandes responsáveis do New Labour: "Fico intensamente relaxado quando alguém fica pornograficamente rico", disse uma vez, para demonstrar que o New Labour achava que a justiça social e a criação de riqueza dependiam uma da outra. Mas agora a crise leva o partido para "as velhas certezas", diz o editorial do The Times. Os conservadores dizem que o aumento de impostos vai chegar à classe média. A colunista Polly Toynbee, no The Guardian, defende por seu lado que "finalmente os dois partidos estão nus como a natureza pretendia". Mas mesmo este jornal fala na capa do "Risco dos 21 biliões de impostos", porque estes são tempos de muita incerteza. Gordon Brown será ainda capaz de ganhar as eleições de 2010, no que seria uma histórica quarta vitória seguida dos trabalhistas? Veremos se este regresso da política o vai ajudar.
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