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por
BERNARDO MARIANO
Música. Julia Jones, nova titular da OSP, dirige no Grande Auditório do CCB
Julia Jones faz às 17.00, no CCB, estreia oficial enquanto titular da OSP
Um Rapto do Serralho na famosa encenação de Strehler foi ocasião para a sua primeira visita a Lisboa. Estávamos em Dezembro de 2005: "apaixonei-me pela cidade e também gostei logo muito da orquestra", conta. O convite para ser titular chega em Março deste ano: "achei logo uma boa ideia e após algumas reuniões com o director do S. Carlos, ficou decidido". Três anos de contrato e "um mínimo" de duas óperas e cinco concertos por temporada - "mas já vou fazer mais que isso neste primeiro ano!" É que "a seriedade no cargo obriga a que se esteja presente" e que "não nos limitemos às coisas vistosas". Assim, "melhora-se a relação com a orquestra e melhora-se a própria orquestra". Conhece "as debilidades e as virtudes" da Orquestra Sinfónica Portuguesa [OSP], mas também "o seu enorme potencial".
A OSP debate-se com uma crise de público e com a falta de uma sala de ensaios. Da primeira, diz: "isso é do foro da direcção. Não sei o que farão, mas terão que fazer algo, porque a orquestra merece melhor imagem e um público mais numeroso". Já da segunda, afirma ser "uma situação péssima e inaceitável, mas que irá começar a mudar: o último piso do teatro vai ser todo adaptado para sala de ensaios permanente da orquestra". Reverso: "as obras durarão até 2011".
Outro desejo é "levar a orquestra em digressão, no estrangeiro e em Portugal", revelando "haver já planos" neste momento. Reconhecendo a inexistência de facto da OSP em termos internacionais, Julia pretende alterar a situação e "o melhor seria colocarmo-nos algures no Youtube", pois "as gravações estão a ficar fora de moda", excepto se forem de "um repertório que a orquestra faça seu", opina. Dá-se como exemplo: "eu própria já não uso CD's, só o iPod!"
Declara "muito interesse" em trabalhar com músicos portugueses - "vocês têm gente muito talentosa!", exclama - e em "aumentar o número de concertos" da OSP, algo que "já se verificará na temporada 2009/10".
Objectivos que espera cumprir até 2011 são: "maior qualidade musical" da OSP, "operar mudanças a nível estrutural, como a sala de ensaios e quiçá mesmo uma sala de concertos própria", reforço da "ligação da orquestra à cidade"; criação de "um público identificado com a orquestra e orgulhoso dela". Não esconde: "será difícil, mas vamos tentar!"
Sobre o seu temperamento enquanto maestrina, diz só: "isso, pergunte-o antes aos músicos..."
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