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Tomates e ovos atirados em invasão de escola

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PEDRO VILELA MARQUES  

Protestos. Durante dez minutos, os alunos da Secundária D. Dinis, em Chelas, Lisboa, investiram contra o auditório onde decorria a reunião entre Ministério e Conselhos Executivos. E só não entraram na sala porque não quiseram, pois a polícia ficou à porta do estabelecimento de ensino

Governante admite abertura do Ministério

O que era para ser uma reunião entre o Ministério da Educação e os conselhos executivos de 200 agrupamentos e escolas de Lisboa e Vale do Tejo, tornou-se numa invasão da escola Secundária D. Dinis, em Chelas. Já depois de os secretários de Estado da Educação terem começado o encontro com os professores, cerca de 200 alunos aglomeraram-se junto ao auditório e arremessaram ovos e tomates contra as paredes, depois de não terem conseguido atingir os carros dos governantes. Isto durante dez minutos e sem qualquer intervenção da polícia. No espaço de quatro dias, esta foi a segunda vez que membros do Ministério da Educação são recebidos por estudantes com ovos, reflexo do mal estar que se vive no sector.

Pouco antes das 14.30, dezenas de jovens já se concentravam junto ao portão principal da escola para se manifestarem contra o novo regime de faltas definido no Estatuto do Aluno. Do habitual "ministra para a rua", os alunos passaram para incentivos ao Benfica, entoados em tom de claque de futebol, e acabaram a entoar cânticos em honra do "Piruças", alcunha de um colega de escola. Para esta significativa concentração em tempo de aulas contribuiu o consentimento de alguns professores da escola. "Fomos dispensadas das aulas", contam Claudia e Sofia, entusiasmadas por a professora ter sido sensível aos seus apelos. "Então, também queriamos ir gritar contra a ministra, era injusto ficarmos de fora da manifestação".

O presidente do Conselho Executivo da escola, José António, não encontra justificações para este facto e assegura que "todos os alunos que se concentraram no portão receberam falta". Da mesma forma que ninguém conseguiu justificar o que se passou a seguir.

Frustrada a tentativa de atingir os carros onde seguiam os secretários de Estado Jorge Pedreira e Valter Lemos, os alunos receberam permissão para entrar na escola. Deu-se então uma verdadeira investida contra as portas do auditório onde decorria a reunião com os conselhos executivos. Durante cerca de dez minutos, os alunos atiraram ovos e tomates contra a sala, enquanto gritavam e esmurravam as portas, perante a impotência dos funcionários da escola. E sem qualquer intervenção da polícia, que ficou do lado de fora dos portões e só foi chamada quando a confusão estava instalada há muito. Já depois de todas as pessoas estranhas à escola terem sido colocadas fora das instalações, o repórter do DN manteve-se mais de três horas dentro do recinto, sem que ninguém lhe perguntasse o que ali fazia.

Questionada sobre estes acontecimentos, a ministra da Educação defende que os alunos que causaram os distúrbios não eram da Secundária D. Dinis, mas alunos que foram recrutados para ir à escola, tese também adoptada por Jorge Pedreira. "Há seguramente uma tentativa de envolvimento dos alunos, com o pretexto do Estatuto, num conflito laboral entre o Ministério da Educação e os professores", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues em conferência de imprensa.

Depois da reunião, Jorge Pedreira manifestou a determinação do Ministério em "examinar as sugestões das escolas, no sentido de dar-lhes todas as condições para que num momento, que é complicado, procedam à avaliação de desempenho". Os conselhos executivos, pelo seu lado, pediram a a simplificação da avaliação, por exemplo, através da adopção de grelhas alternativas elaboradas pelas escolas.


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