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Cavaco Silva obrigou o PSD a recuar na Madeira

por

LÍLIA BERNARDES, Funchal

JOANA SOUSA -DN FUNCHAL  

Suspensão. O deputado Guilherme Silva foi o intermediário entre Belém e Jardim

O Presidente da República voltou ontem a reiterar o desejo de que "a normalidade plena seja restabelecida rapidamente" na Região Autónoma da Madeira, garantindo que mantém o contacto com o representante da República na região, segundo fonte oficial de Belém à Lusa. O DN sabe que o chefe da Casa Civil de Cavaco Silva, Nunes Liberato, telefonou ao deputado Guilherme Silva que, por sua vez, entrou em contacto com Alberto João Jardim para pressionar o PSD/Madeira a levantar a suspensão do deputado do PND, José Manuel Coelho. O líder do Governo regional da Madeira manteve-se também em diálogo permanente com Monteiro Diniz.

O processo de suspensão do deputado do PND, por ter utilizado símbolos nazis no Parlamento, seguido de proibição de entrada no hemiciclo regional, acabou por tomar proporções não esperadas pelo PSD/Madeira, a partir do momento em que todos os partidos na República começaram a exigir a intervenção do Chefe do Estado.

O silêncio de Alberto João Jardim sobre esta matéria acaba por dizer tudo. Se falasse teria de ser solidário com o seu grupo parlamentar, criando mais um problema a Belém. Neste caso, Jardim foi obrigado a calar-se para não criar mais um problema ao Presidente da República, envolvido que está na polémica em torno do Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Tornou-se claro que a primeira decisão de suspender o deputado do PND foi tomada a quente e tudo indica que Alberto João Jardim estava por dentro do assunto, dado que o comportamento do deputado do PND tem sido tema debatido nas reuniões da comissão política do partido há muito tempo.

Ontem, as palavras do Chefe do Estado já tinham produzido efeito, retratadas num repentino volte-face na crise vivida esta semana no Parlamento madeirense. O deputado do PND, José Manuel Coelho, já entrou nas instalações da Assembleia Legislativa e até prestou declarações aos jornalistas dizendo, por exemplo, que "respeita muito o presidente do Parlamento", só que "infelizmente foi mal aconselhado pelo sr. Jaime Ramos", disse.

Certo é que a partir de ontem o presidente da Assembleia Legislativa, Miguel Mendonça, anunciou desde cedo que a suspensão apresentada pelo PSD ficara sem efeito, assumindo a ilegalidade da iniciativa, mas lembrando que era obrigado a cumprir as decisões tomadas em plenário pelos partidos. Em declarações ao DN, confirmou que o caso está sanado e que "dentro de uma semana o Parlamento irá entrar na legalidade". Para já, foi convocada uma reunião de líderes para a próxima terça-feira com o objectivo de agendar as próximas sessões plenárias.|


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