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DIANA MENDES
AMIN CHAAR-ARQUIVO DN
Doação de cadáveres As faculdades de medicina portuguesas deparam-se com uma grande escassez de corpos por ano, essenciais para o ensino e investigação. Em Coimbra, apenas dez corpos chegaram à faculdade nos últimos nove anos. E há cada vez mais pessoas a arrepender-se da doação
No espaço de nove anos, apenas dez corpos deram entrada no Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina de Coimbra, uma das três faculdades mais dedicadas à dissecção em cadáveres. O número está "longe de ser o ideal", diz António Miguéis, professor catedrático na instituição . O problema verifica-se nas outras faculdades e tem dificultado o ensino da anatomia e o treino de actos cirúrgicos, referem especialistas. No Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a quota subiu para dez a quinze por ano desde que lançou um alerta. No entanto, o presidente, Manuel Barbosa garante que "o número de pessoas que desistem de doar o cadáver está a subir".
Manuel Barbosa considera que a situação está a melhorar no Porto, visto que o número de doações concretizadas aumentou. No entanto, os institutos de anatomia estão agora a deparar-se com um maior número de desistências depois de as pessoas terem declarado essa vontade.
A maior parte das pessoas que decidem fazer essa dádiva são mais jovens, "entre os 20 e os 40 anos. Ou seja, pessoas que provavelmente só irão morrer várias décadas mais tarde", refere Manuel Barbosa. O problema é que essa vontade se atenua com o passar dos anos. "Só este ano, tivemos mais de 12 desistências e esse número tem vindo a aumentar".
As faculdades não fazem perguntas aos desistentes, "mas as pessoas sentem necessidade de se justificar". Geralmente decidem fazê-lo depois de falar com a família, ou porque querem que o seu corpo seja enterrado junto com o dos seus parentes. Se há mais casos concretizados de doações, o número de declarações por escrito é mais ou menos estável.
"Temos recebido 200 a 250 pedidos de doação por ano aqui na faculdade. Todas as semanas temos duas a três. Por isso, há cerca de duas mil em carteira", frisa. Só na Universidade do Porto já há, em média, 10 a 15 corpos que chegam por ano ao instituto, quando antes eram apenas três ou quatro.
O problema é que apenas uma minoria das intenções de dádiva se minoria se concretiza. Por norma, quando as doações são feitas por pessoas mais velhas (65 a 70 anos), há mais garantias, "porque as pessoas já reflectiram sobre o acto e transmitiram aos familiares essa vontade".
Também Jorge Costa Santos, director da delegação sul do Instituto de Medicina Legal, confirma haver muitos casos de dádivas que não se verificam, "seja porque a pessoa revogou o pedido, seja porque se esqueceu de dar conhecimento da vontade aos familiares", diz. A estes casos, juntam-se os de familiares que decidem não respeitar a vontade da pessoa que morreu, o que acontece frequentemente. É fácil dar a volta à situação, visto que, ser não forem os familiares a comunicar o óbito às instituições, estas não têm forma de saber e tomar medidas. |
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