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PATRÍCIA VIEGAS
Espanha. Vigilância aumentou desde o 11 de Março
Militares de confissão islâmica são seguidos pelos serviços secretos
O exército é para muitos jovens muçulmanos de Ceuta e Melilla a única saída profissional possível: 30% dos oito mil militares destacados nestes enclaves espanhóis do Norte de África são de confissão islâmica. Mas, desde os atentados do 11 de Março, muitos são vigiados pelos serviços secretos espanhóis e alguns chegam a ser expulsos da vida militar.
Foi o que aconteceu com Fouad. Estava destacado em Ceuta, tinha notas satisfatórias e era considera- do competente. Mesmo assim, viu recusado o pedido para continuar no exército - que integrava há oito anos.
"No seu conjunto, a qualificação é boa, mas observa-se que, nos assuntos que misturam questões políticas com religiosas, como Israel, os atentados do 11 de Setembro [de 2001] ou a Guerra do Iraque, manifesta-se sempre a favor dos muçulmanos implicados com muito ênfase, como se estivesse envolvido", lê-se num relatório sobre Fouad, datado de 2003, destinado a justificar a sua não permanência no exército espanhol.
O soldado recorreu da decisão, ajudado por um advogado de Ceuta, acabando por ganhar a batalha administrativa no Supremo Tribunal de Justiça da Andaluzia. Assim, Fouad regressará nas próximas semanas ao Regimento de Cavalaria Blindada de Montesa número 3, em Ceuta, escreveu ontem o El País.
Fouad, garante o jornal, citando fontes próximas dos militares, pertence a um grupo de uma dúzia de soldados muçulmanos que nos últimos anos terão si-do alvo dos chamados relatórios se- cretos, que não podem consultar.
Apesar de tudo, o ex-comandante geral de Ceuta, o general Luis Gómez-Hortiguela, nega que haja alguma "perseguição de algum tipo" contra os muçulmanos, ao contrário do que afirma o dirigente da União Democrata de Ceuta Mohamed Ali.
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