Última hora Profissionalização e novas tecnologias em...OE2010: Jerónimo diz que orçamento "não traz...Novo disco de Maria de Medeiros FIA altera pontuação a um dia do início da...OE2010: Sócrates reitera que Governo não...Procura pela dívida portuguesa quase quadruplicou...Assis acusa Ferreira Leite de ter agravado...INE: Preços sobem 0,1% em JaneiroPrimeiro ministro está "fora da realidade"...AR: Portas desafia Sócrates a "tocar no seu...
por
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
A palavra Bíblia vem do grego e significa livros, no plural. Em latim e, por derivação, em português, transformou-se num singular feminino: a Bíblia como "O Livro". Quem não estiver atento pensará que se trata de um livro como os outros. Na realidade, é, segundo o cânone católico, o conjunto de 73 livros - uma pequena biblioteca -, e a sua redacção e formação prolongaram-se por mais de mil anos.
Assim, como reconhece o Sínodo dos Bispos, reunido em Roma até 26 deste mês, para tratar precisamente da Bíblia, o magno problema bíblico é o da interpretação. De tal modo foi possível, com base na Bíblia, fazer leituras díspares que o filósofo Hegel tem o dito famoso de que ela é como um nariz de cera, expressão que já vem de Alain de Lille, no fim do século XII.
Dou exemplos, um pouco ao acaso, apenas para mostrar, perante o emaranhado de textos, a urgência da tarefa gigantesca da exegese e da hermenêutica.
No primeiro livro - o Génesis -, há duas narrativas da criação, que não são coincidentes. Logo por aí se vê que não podem ser tomadas à letra.
Sobre o amor, encontra-se na Bíblia um dos livros mais eróticos da história da literatura: o Cântico dos Cânticos é um poema que canta o amor de um homem e de uma mulher, com a sua expressão sexual, e não são casados. Mas, no Levítico, lê-se: "O homem e a mulher adúlteros serão punidos com a morte"; "Se um homem coabitar sexualmente com um varão serão os dois punidos com a morte". Na Bíblia, ao lado de uma ética sexual do amor, da justiça e da bondade, encontramos éticas da pureza e da propriedade.
No salmo 137, está: "Cidade da Babilónia, feliz de quem agarrar nas tuas crianças e as esmagar contra as rochas!" Mas Jesus mandou amar os inimigos e, do alto da cruz, rezou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".
Jesus disse que Deus e a Mamona (a riqueza divinizada) são incompatíveis, mas também se lê no Evangelho o que ficou conhecido como "o efeito de Mateus": "Ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
Sobre as mulheres, diz São Paulo que "já não há homem nem mulher, pois todos são um em Cristo". Mas, no Eclesiástico, lê-se: "Pela mulher começou o pecado e por sua culpa todos morremos."
Os livros dos Profetas constituem uma revolução na história da consciência religiosa da Humanidade, pois, contra a corrente sacerdotal, reivindicam a moralização da religião, cujo núcleo está na justiça e não nos sacrifícios, dos quais Deus diz que "fedem".
Job, esmagado pela dor na sua inocência, ousa convocar Deus para um tribunal independente.
Frente à morte, diz-se que o Homem morre como o gado. Mas São Paulo escreve que a fé cristã tem o seu fundamento na ressurreição dos mortos: "Sem ressurreição, é vã a nossa fé."
Com a Bíblia, justificou-se a teocracia e também a laicidade, matou-se, cometeram-se crueldades sem fim, fizeram-se as cruzadas, mas também se ergueu, como nunca tinha acontecido, a dignidade divina da pessoa humana.
Deus é o Deus dos exércitos e da vingança, mas também é o Libertador, e a única tentativa de definição diz: "Deus é amor."
Afinal, a Bíblia escreve sobre a história dos homens, no seu melhor e no seu pior, na busca do absoluto. É preciso entender que ela é um livro religioso e não científico e só no seu todo é que se reclama da verdade. Ora, se toda a religião tem como ponto de partida e de "definição" a pergunta essencial: o quê ou quem traz libertação, salvação, sentido final?, então, quando se pergunta pelo fio hermenêutico essencial e decisivo para a interpretação correcta dos livros sagrados, ele só pode ser o do sentido último, da libertação-salvação total. Só a esta luz é que são verdadeiros. Em tudo o que neles se encontra de menos humano ou até de desumano, revela-se o que Deus não é e o que o Homem não deve ser.
Lídia Jorge disse de modo iluminante: "A Bíblia é o poema colectivo mais longo criado até agora pela Humanidade. Nele se espelham as várias batalhas que os homens engendram na sua demanda pelo amor absoluto."
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
venda da Cimpor com impacto de 90 milhões na Teixeira Duarte
Populares apoiam Gonçalo Amaral à chegada dos McCann
Situação económica é má para 90% dos portugueses
Grécia: Funcionários públicos queimam bandeira da União Europeia
Futebol: Sporting - Mexer e Renato Neto no treino
Alegações finais do julgamento livro de Gonçalo Amaral
Família descobre morte de filho através do Facebook
PS "perplexo" com intervenção crítica de Pinto Monteiro na AR
PGR: Lei do segredo de justiça "não é má, é péssima"
Sporting diz adeus a 6,4 milhões
"Não há indício de plano do PM para controlar a imprensa"
"Agarrei-o morto para eu não ficar sozinho"
Sócrates nega indicações à PT para compra de televisão
Legalidade das escutas gera divisão
Casamento 'gay' votado amanhã
Petição online já ultrapassou 4000 assinaturas e vai ser discutida em plenário
brasil
diana piedade
bpp
emprego
haiti
acidente
idolos
salvador caetano
crel
mario crespo
Quem tem mais culpas na má época do Sporting?
Curso de Fotografia e Vídeo Digital
Impressora Multifunções Epson Stylus SX415
Todas as Iniciativas DN
Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos