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Passos apela a consenso para enfrentar a crise

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FRANCISCO ALMEIDA LEITE  

Propostas. Ex-candidato à liderança do PSD acredita que a crise está para ficar "quatro ou cinco anos" e defende que deve haver um "amplo consenso para enfrentar a crise. Do lado da oposição e do lado do Governo". Passos Coelho afirma que não é altura para atribuir culpas, mas diz que esse tempo virá

Pedro Passos Coelho quer que o Governo e a oposição se entendam sobre a melhor forma de, à escala nacional, se ultrapassar o mau momento económico. Ao DN, o ex-candidato à liderança do PSD diz que "é preciso um consenso para enfrentar a crise. Do lado do Governo e do lado da oposição".

Uma posição que surge numa altura em que Manuela Ferreira Leite acusou José Sócrates de utilizar a crise como álibi. A presidente do PSD distanciou-se ainda das propostas de baixar o IRC nas empresas e de criar uma linha de crédito para as PME. Passos Coelho mostra-se contra esta atitude: "Neste momento extremamente delicado, não se pode estar a atribuir culpas, as perdas que estão no horizonte já são demasiado grandes". Mas, reforça, quando essa altura chegar, a prestação do PSD será também avaliada: "Haverá um momento para fazer um balanço, mas agora não é altura de me pronunciar sobre a forma como o PSD se tem portado a fazer oposição".

O ex-deputado está preocupado com a crise financeira nacional e internacional, que diz poder vir a ter efeitos durante "quatro ou cinco anos". Por isso acha que o Governo devia atacar já, com propostas concretas. E sugere que "o Estado comece por pagar o que deve às empresas". Sublinhando que as dívidas "são parte da administração central e outra parte da administração local, o Governo devia abrir uma linha de crédito às autarquias para estas começarem a pagar dívidas".

Outra medida defendida por Passos Coelho passa pelo IVA "deixar de ser liquidado na factura, porque o que se passa é que as empresas andam a adiantar receita ao Estado". Em relação ao IRC, onde Governo e PSD não se entendem, Passos Coelho diz que a ideia de reduzir a taxa para as empresas "é, em si, correcta, mas não podemos estar a utilizar as mexidas nos impostos de forma discricionária, num dia sobem os impostos, noutro baixam".

Para acabar com esta situação, Passos Coelho diz ao DN que "o Estado devia assumir um compromisso de uma legislatura para baixar sustentadamente a sua receita fiscal, ao mesmo tempo que atacava a despesa pública". Ou seja, para o ex-deputado do PSD as mexidas no IRC e a abertura de linhas de crédito para as empresas são positivas, mas "é mais importante o Estado liquidar as suas dívidas".

A medida anunciada ontem pelo ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, de prestar garantias até 20 mil milhões de euros às operações de financiamento dos bancos em Portugal, para melhorar o acesso à liquidez, é vista como "boa". "É uma medida concertada em termos da União Europeia e faz sentido porque há falta de liquidez dos nossos bancos na banca externa. Facilita a confiança e é preferível à intervenção directa do Estado, nacionalizando parte dos bancos."|


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