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No debate quinzenal no Parlamento mais ideológico de que há memória, José Sócrates antecipou três medidas de apoio às PME e às famílias mais afectadas pela crise financeira. Com a agilidade retórica que foi aperfeiçoando ao longo dos três anos e meio de governação, puxou dos galões de uma esquerda reformista para declarar, à beira do colapso do sistema financeiro internacional, a falência do neoliberalismo anti-estatista (perante o silêncio dos dois partidos à direita do hemiciclo). Em seguida, lendo passagens caricaturais das teses ao próximo congresso do PCP, demarcou-se igualmente das esquerdas à esquerda do PS, que ainda não se conformaram com a queda do socialismo real em 1989 e preferem que não se saiba.
Mas, no plano das perguntas e propostas concretas de política prática, há a registar três silêncios do chefe do Governo: porque se antecipa do dia 30 para 15 de Dezembro, em cima do Natal, o pagamento especial por conta, quando as PME se confrontam com sérios apertos de tesouraria? Porque não se acelera o pagamento já atrasado de entidades públicas aos seus fornecedores privados? O que pensa fazer o Governo, que reclama uma regulação financeira, séria e efectiva à escala global, quanto aos offshores, em especial o da Madeira? Os desafios partiram das bancadas do PSD, do CDS e do BE. E mereciam uma resposta.
No Verão, Barack Obama fez uma volta pela Europa que revelou apoio popular insólito a um candidato presidencial de outro continente. Além da multidão (e a que se juntou em Berlim foi impressionante) o democrata americano recebeu respaldo, também ele insólito, de líderes europeus. O chefe do Estado francês, Nicolas Sarkozy, por exemplo, tratou-o literalmente como Presidente americano. Assim, Obama, além das considerações justas ou injustas com que o eleitor do seu país o vai julgar, traz consigo uma condição fundamental: ele é cimento nas relações euro--americanas. E se estas são condição permanente para a estabilidade e progresso internacionais, ganharam especial importância nestes tempos de crise financeira mundial.
Este ano, a Europa vê com interesse acrescido as eleições americanas. Até os debates presidenciais, geralmente só noticiados em linhas curtas, são agora acompanhados, apesar de transmitidos em madrugada europeia, e discutidos. A vitória de Barack Obama, no segundo desses debates, e o que ela indicia de confirmação das sondagens positivas da candidatura democrata devem ter permitido um suspiro de alívio nos seus muitos apoiantes europeus. Se estamos a viver maus dias e com poucas esperanças de melhoria próxima, ao menos que o 4 de Novembro seja bom.|
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