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Vereador lidera empresa que presta serviços à CML

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FRANCISCO ALMEIDA LEITE  

Lisboa. O vereador das Finanças de António Costa é presidente de uma 'holding' que tem empresas a prestar vários serviços à Câmara de Lisboa. Cardoso da Silva confirma ao DN que lidera a Trivalor, mas garante que consultou juristas que dizem não haver nenhuma incompatibilidade nas duas funções

António Costa deu-lhe o pelouro das Finanças

José Vitorino Cardoso da Silva, vereador com o pelouro das Finanças na Câmara Municipal de Lisboa, é ao mesmo tempo presidente do conselho de administração do Grupo Trivalor, uma holding de empresas que presta vários serviços à autarquia. Pelo facto de ser vereador na CML, Cardoso da Silva apenas recebe um terço do seu vencimento como autarca, já que aufere também vencimento na Trivalor.

Contactado pelo DN, o vereador da equipa de António Costa confirma a informação: "Sim, é verdade, mas é perfeitamente legal. Consultei até vários juristas sobre o assunto e a situação está documentada no Tribunal Constitucional." Cardoso da Silva diz que é "apenas presidente da holding que não presta serviços à câmara", embora admite que várias das suas participadas o façam.

Como a Trivalor é, na prática, a empresa que gere e coordena as outras empresas e várias destas trabalham com a CML, o DN questionou--o sobre esse facto. "As participadas realmente fornecem serviços à câmara, mas não ganham nenhum novo concurso desde que estou neste posto. Falei com vários juristas que me disseram não haver aqui nenhum tipo de incompatibilidade."

A Trivalor - Sociedade Gestora de Participações Sociais S. A. tem onze mil empregados, um capital social de dez milhões de euros e vendas consolidadas de cerca de 300 milhões de euros, dados de 2005. Presidida por Cardoso da Silva, o homem a quem António Costa entregou o pelouro das Finanças na CML após as eleições de Junho de 2007, a Trivalor é a cúpula de um grupo de empresas que inclui a Ticket Restaurante, a Gertal , a Cerger, a Socigeste, a Iberlim, a Sogenave, a Strong, a Mba, a Supersnack ou a Papiro. O core business destas empresas engloba os tickets de serviços, a representação e logística, a restauração pública em concessões, a limpeza e as desinfestações, a segurança (estática e electrónica) e o vending.

Entre os clientes das empresas controladas pela Trivalor "estão empresas e outras instituições", tais como o "Governo, hospitais, escolas, prisões, as Forças Armadas e militarizadas". E, segundo sabe o DN, e confirmou Cardoso da Silva, também a Câmara Municipal de Lisboa. "É legal", conclui o vereador.


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